163 nigerianos resgatados após seis meses de cativeiro em meio a relatos de morte e sofrimento extremo
Um grupo de 163 nigerianos, a maioria mulheres e crianças, foi resgatado após ser mantido em cativeiro por militantes jihadistas por aproximadamente seis meses. Os libertados foram entregues às autoridades em Ilorin, capital do estado de Kwara, para receberem atenção médica e avaliações de rotina, expressando o desejo de retornar aos seus lares e reencontrar suas famílias. A operação de resgate faz parte de um contingente maior de mais de 300 vítimas libertadas pelas forças nigerianas nesta semana.
Mary Ishaya, uma das ex-reféns, descreveu a experiência como indescritível, mencionando dias sem alimentação e a ordem de enterrar outros sequestrados que faleceram. Ela, que nunca havia lidado com a morte ou o sepultamento antes, declarou: “Ainda não consigo encontrar as palavras certas para descrever o que nos aconteceu. Vimos morte e sofrimento.”
O sequestro ocorreu em 3 de fevereiro, quando militantes armados invadiram a vila de Woro, resultando na morte de mais de 160 pessoas. No hospital, os resgatados apresentavam sinais de emagrecimento extremo, com muitos com dificuldade para se manter em pé, além de ferimentos e cicatrizes emocionais decorrentes do período de cativeiro. Algumas mulheres foram informadas de que seus maridos estavam entre os mortos durante o ataque inicial.
Amira Saliu, enfermeira entre os libertados, relatou ter auxiliado no parto de cerca de dez gestantes nas matas, utilizando apenas suas mãos. Moradores de Woro sugeriram que os atos de violência e sequestro foram uma retaliação à resistência local contra a imposição das pregações dos jihadistas. Hauwa Saliu, cujo marido foi morto no ataque, confirmou que os sequestradores pressionavam os reféns a aceitarem suas doutrinas.
A libertação desta semana incluiu, além dos 163 de Woro, outras 145 vítimas sequestradas, em sua maioria do estado vizinho de Niger. O Presidente nigeriano, Bola Tinubu, classificou a operação como a “maior operação de resgate já realizada em um único dia” e comprometeu-se a intensificar as ações contra grupos armados. As autoridades locais não detalharam como o resgate foi efetuado na densa floresta do Parque Nacional do Lago Kainji.
O ataque de fevereiro foi um dos mais letais nos últimos anos na Nigéria, evidenciando a movimentação de militantes do norte para o sul do país, onde grupos rivais disputam controle territorial e de recursos. A situação de segurança na Nigéria é marcada por sequestros em massa, incluindo alvos escolares. Analistas apontam a necessidade de o país aprimorar a prevenção de ataques, em vez de focar apenas na resposta a eles, ressaltando também a importância de melhorar as condições de bem-estar das forças de segurança, que enfrentam desafios como baixos salários e escassez de recursos.
