Abelardo de la Espriella toma posse com discurso de fé e projeto político de direita

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Cerimônia sem precedentes em Cali eleva Abelardo de la Espriella com discurso de fé e projeto político conservador

A posse de Abelardo de la Espriella como novo mandatário colombiano ocorreu em um evento inédito, realizado na Arena USC de Cali em vez do tradicional Capitólio de Bogotá. A decisão, aprovada pelo Congresso, ocorreu sob forte esquema de segurança, dada a presença de grupos armados na região. A cerimônia, marcada por um forte discurso religioso e um projeto político de firmeza, contou com a presença de figuras internacionais de peso.

Entre os convidados de destaque estavam o rei Felipe VI da Espanha e oito presidentes latino-americanos, incluindo Javier Milei da Argentina, Daniel Noboa do Equador, José Antonio Kast do Chile e Santiago Peña do Paraguai. Ex-presidentes colombianos como Álvaro Uribe e Iván Duque, além de delegações dos Estados Unidos, Israel, Panamá, Curazao, Costa Rica, Honduras e Suécia, também compareceram. A presença de Luis Felipe Yagüé, vendedor de panela que viralizou durante a transição, foi um momento simbólico, reforçando a narrativa de proximidade do presidente com a população.

Dimensão religiosa e alinhamento com a direita internacional dominam o discurso

A investidura de De la Espriella foi notavelmente marcada por uma forte ênfase religiosa, algo sem precedentes em posses presidenciais colombianas. Em seu primeiro discurso, o presidente agradeceu a Jesucristo, declarou que “o que está de joelhos diante de Deus jamais será vencido” e encerrou com “Firmes por la Patria, que viva Cristo Rey”. Ele anunciou a intenção de seu governo em travar “a batalha cultural para recuperar o valor da família, o mérito, a disciplina, o respeito pela lei, o amor pela pátria e a crença em Deus”.

O evento incluiu invocações e louvores com líderes do judaísmo, catolicismo e cristianismo evangélico. O rabino David Michaan leu passagens bíblicas, pedindo sabedoria e fortaleza para o presidente, e concluiu com “Viva Colômbia e viva Israel”, ressaltando o eixo israelense na futura política externa. O pastor evangélico Eduardo Cañas Estrada pediu proteção divina, e o monseñor Francisco Múnera invocou a unidade nacional e o fim dos atentados terroristas, alinhando-se com o foco do governo na ordem pública. Elementos visuais religiosos, como a projeção da Virgem Maria durante uma apresentação musical, também compuseram a cerimônia.

No âmbito político, o projeto de De la Espriella delineou um rumo conservador e de “mão dura”. O presidente anunciou o fim dos diálogos de paz do governo anterior, a criação de uma lista de grupos “narcoterroristas” e o retorno das fumigações contra plantações de coca, com a declaração “a coca dará lugar ao coco”. A política de segurança foi inspirada no ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, com promessas de combate “sem trégua” ao narcoterrorismo e à recuperação da autoridade estatal.

Em termos econômicos, De la Espriella prometeu uma “regeneração econômica” com foco na iniciativa privada, investimento e emprego digno. Um decreto de congelamento do gasto público e a recuperação da Ecopetrol, mediante a exploração de novas reservas, foram anunciados, assim como uma luta contra a corrupção. A Colômbia se unirá ao Escudo das Américas, aliança impulsionada por Donald Trump, reafirmando o alinhamento com os Estados Unidos e governos de direita do continente. O presidente também criticou a Jurisdição Especial para a Paz (JEP) e prometeu revisar seu funcionamento, afirmando que seu programa será cumprido em quatro anos.

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