Espanha registra salto na população muçulmana ultrapassando 2,5 milhões e 1.766 locais de culto abertos
A Espanha tem vivenciado uma transformação cultural e religiosa significativa, impulsionada pela imigração muçulmana. Um relatório do Observatório Demográfico da CEU CEFAS aponta que a população islâmica no país atingiu mais de 2,5 milhões em 2025, representando aproximadamente 5% do total de habitantes espanhóis. Estes dados foram divulgados pelo jornal Libertad Digital.
Do contingente muçulmano, estima-se que cerca de 1,79 milhão sejam imigrantes de primeira geração, enquanto aproximadamente 680.000 nasceram na Espanha, filhos de pais muçulmanos. As principais nacionalidades de origem são Marrocos, Paquistão, Senegal, Argélia, Mali, Grécia e Bangladesh. As regiões com maior concentração dessa população são Catalunha, Andaluzia e Comunidade Valenciana.
A cidade autônoma de Ceuta, localizada no norte da África, apresenta um cenário particular. Cerca de 40% a 50% dos seus 84 mil habitantes são muçulmanos de origem marroquina, segundo informações do UOL. A área de 18,5 km² também abriga minorias de judeus e hindus, além da maioria espanhola cristã.
O relatório “Demografia do Islã na Espanha” também indica uma tendência de crescimento entre as novas gerações. Em 2024, foi estimado que 11% dos bebês nascidos no país tiveram pelo menos um dos pais muçulmanos. Observa-se que mulheres muçulmanas na Espanha tendem a ter mais filhos em comparação com mulheres espanholas e outras imigrantes não muçulmanas.
A infraestrutura religiosa islâmica acompanha o crescimento populacional. Dados da União das Comunidades Islâmicas da Espanha (UCIDE), de 2025, apontam a existência de 1.766 mesquitas no país. Em alguns municípios, como Salt, o número de mesquitas já supera o de igrejas.
O aumento da presença islâmica também se reflete na educação e em demandas sociais. Houve um crescimento na contratação de professores de religião islâmica e no número de alunos matriculados. O Libertad Digital reportou que comunidades islâmicas passaram a solicitar cardápios halal e o uso do hijab para estudantes muçulmanos.
Preocupações com radicalismo islâmico crescem com a imigração
Paralelamente ao crescimento demográfico, o aumento da comunidade muçulmana na Espanha tem gerado preocupações em relação ao radicalismo islâmico. Em 2024, 81 pessoas foram presas por extremismo islâmico, o maior número registrado desde 2004.
Pierre Vermeren, professor de História Contemporânea na Universidade Sorbonne e especialista no mundo árabe-islâmico, comentou em entrevista anterior à Gazeta do Povo sobre as ambições de grupos radicais. “A Irmandade Muçulmana e os fundamentalistas islâmicos sonham em conquistar a Europa”, afirmou.
“Não com armas, porque isso sempre fracassou, mas por meio do assentamento de populações grandes e férteis”, explicou Vermeren. Ele acrescentou que os radicais buscam envolver os muçulmanos europeus nessa empreitada, atuando de forma discreta em escolas, bairros, famílias e mesquitas para estabelecer bases para o desenvolvimento do Islã no continente. A conversão de cristãos é também apontada como um objetivo importante.
No dia 30 de setembro, milhares de imigrantes entraram ilegalmente no enclave espanhol de Ceuta, vindos do Marrocos. Cerca de 34 mortes foram registradas durante a tentativa de travessia. No dia seguinte, 31 de setembro, o Ministério do Interior da Espanha informou que aproximadamente 49 mil imigrantes cruzaram para a cidade autônoma nas últimas 24 horas. O governo espanhol enviou reforços de segurança para a região, que, assim como Melilla, é um ponto frequente de tentativas de entrada ilegal na Europa.
