Uma parcela significativa das clínicas Planned Parenthood nos Estados Unidos, cerca de 80%, oferece intervenções médicas relacionadas à transição de gênero, um número que, conforme um novo relatório, supera o de unidades que realizam serviços de aborto. Essa é a principal revelação de um estudo divulgado em 2026 pelo American College of Pediatricians (ACPeds) em parceria com o American Principles Project.
O relatório aponta a organização como um dos maiores provedores de “intervenções de rejeição de sexo”, que incluem bloqueadores de puberdade, hormônios sexuais cruzados e encaminhamentos para cirurgias. A pesquisa levanta questões importantes sobre o alcance dessas práticas e o financiamento público envolvido.
Relatório detalha a abrangência dos serviços
O estudo, acessível através de uma publicação da Christianity Daily, descreve que as afiliadas da Planned Parenthood fornecem uma ampla gama de serviços a pacientes que se identificam como transgêneros. Isso engloba terapia hormonal com estrogênio e testosterona, medicamentos anti-andrógenos, bloqueadores de puberdade, aconselhamento relacionado à transição e encaminhamentos para cirurgias.
Em alguns locais, pacientes tão jovens quanto 16 anos recebem esses procedimentos e serviços. Além das intervenções médicas, a Planned Parenthood também distribui ligaduras peitorais gratuitas para menores, oferece recursos informativos sobre sites de “roupas que afirmam o gênero”, “guias de saúde trans” e dicas para “ligadura/dobra segura, treinamento vocal e muito mais”.
“A Planned Parenthood é um dos maiores provedores de intervenções de rejeição de sexo para menores, incluindo hormônios do sexo oposto e bloqueadores de puberdade”, afirmou a Dra. Jill Simons, diretora executiva do American College of Pediatricians, criticando a continuidade do financiamento federal à organização.
Crescimento e financiamento público sob escrutínio
Os próprios relatórios anuais da Planned Parenthood servem como evidência de seu envolvimento nesses serviços. No período de 2019-2020, a organização afirmou que mais de 200 centros de saúde em 31 estados ofereciam tratamentos hormonais de sexo cruzado. Já em seu relatório anual de 2022-2023, 45 de suas 49 afiliadas em todo o país forneciam esses procedimentos transformadores para pessoas diagnosticadas com disforia de gênero.
O documento destaca que quase 450, ou 80%, das clínicas da Planned Parenthood oferecem procedimentos de rejeição de sexo em nível nacional, superando o número de locais que oferecem serviços de aborto. Embora pesquisas indiquem que a maioria dos americanos se opõe ao financiamento público para tais procedimentos, a Planned Parenthood recebeu aproximadamente US$ 832 milhões em verbas de contribuintes em 2024–2025. A expectativa é que continue recebendo centenas de milhões de dólares em financiamento federal se o Congresso não agir.
Uma pesquisa do Concerned Women for America Legislative Action Committee, citada no relatório, identificou um aumento significativo de 40% nesses procedimentos em instalações da Planned Parenthood entre os anos fiscais de 2024 e 2025. Exemplos de clínicas em Idaho e Washington registraram aumentos de até 434% em procedimentos de transição de gênero entre 2018 e 2025.
Expansão da ideologia de gênero na educação
Além dos serviços médicos, o relatório acusa a Planned Parenthood de expandir iniciativas de educação sexual focadas na ideologia de gênero, visando crianças e educadores. No ano fiscal de 2025, a organização destinou US$ 72,6 milhões para treinar 1,3 milhão de participantes em programas de ideologia de gênero e educação sexual explicitamente sexual.
Através de seu programa online “Sex Ed To-Go”, a Planned Parenthood forneceu 30.000 cursos a 10.000 educadores, estudantes e pais em apenas dois anos. O relatório menciona, ainda, que a organização oferece recursos e currículos para ensinar crianças em idade pré-escolar, a partir dos 3 anos, sobre a ideologia transgênero.
Os dados apresentados pelo American College of Pediatricians e seus parceiros pintam um quadro claro da crescente e abrangente atuação da Planned Parenthood nos procedimentos de transição de gênero e na disseminação da ideologia de gênero, muitas vezes com apoio financeiro dos contribuintes e impactando até mesmo crianças muito jovens. O relatório sublinha a urgência de um debate público sobre as implicações e o alcance dessas práticas.
