África pode se tornar o maior polo mundial de jovens até 2073, aponta relatório

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África desponta como futuro centro global de juventude

Uma análise recente do Pew Research Center, baseada em dados da ONU, projeta que a África poderá se tornar o maior polo mundial de pessoas jovens até 2073. Atualmente, o continente já abriga 28% de todos os indivíduos com menos de 25 anos, uma proporção que tende a aumentar significativamente nas próximas décadas.

Essa projeção reflete o crescimento populacional contínuo do continente, que difere da tendência de desaceleração observada em outras partes do mundo. A África, que representava 19% da população global em 1950, deverá concentrar uma fatia ainda maior de jovens no futuro.

Trajetória demográfica da África

A população africana cresceu expressivamente desde meados do século XX. Em 1950, o continente contava com cerca de 230 milhões de habitantes. Atualmente, esse número ultrapassou 1,5 bilhão, com projeções indicando que poderá atingir 3,8 bilhões até 2100, segundo a projeção de médio alcance das Nações Unidas.

A taxa de fertilidade africana, atualmente em torno de 3,9 nascimentos por mulher, é a mais alta entre as regiões do mundo e a única que permanece acima do nível de reposição global (aproximadamente 2,1 nascimentos por mulher). No entanto, espera-se que essa taxa caia para 2,8 até 2050 e para 2,0 até 2100, uma diminuição considerável desde o pico de 6,7 registrado em 1972.

Impacto na estrutura etária e população global

A queda na fertilidade, combinada com o aumento da expectativa de vida, remodelará o perfil etário do continente. A idade mediana na África, que é de cerca de 19 anos atualmente, deve atingir 35 anos até 2100. Apesar desse envelhecimento gradual, a África está a caminho de se tornar o lar dominante da juventude mundial.

Até 2073, espera-se que o continente ultrapasse a Ásia, atualmente o maior lar de jovens, em sua participação na população global com menos de 25 anos. Ao final do século, 46% de todas as pessoas com menos de 25 anos deverão viver na África, em comparação com 39% na Ásia.

Transformação no ranking populacional

Essa mudança demográfica também alterará o mapa das nações mais populosas do mundo. A Nigéria, atualmente o país mais populoso da África e o sexto do mundo, deve se tornar a quarta nação mais populosa até 2100. A República Democrática do Congo, Etiópia e Tanzânia também figurarão entre os dez países mais populosos.

Ao todo, 12 dos 25 países mais populosos do mundo deverão ser africanos até 2100, um aumento significativo em relação aos seis atuais. Em contraste, a representação europeia nessa lista deve diminuir consideravelmente, com a Rússia sendo possivelmente a única nação europeia entre as 25 mais populosas.

Perspectivas internas da população africana

Dentro da própria África, a proporção de residentes com menos de 25 anos, que hoje é de cerca de 60%, deve cair para 35% até 2100. Paralelamente, a parcela de adultos entre 25 e 64 anos deve crescer para 51%, enquanto os maiores de 65 anos, que representam cerca de 5% da população atual, devem chegar a 15%.

A análise do Pew Research Center, publicada em maio de 2026, baseia-se nas “World Population Prospects” de 2024 da ONU. As projeções a partir de 2024 refletem estimativas futuras, e não dados registrados.

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