Capelão da Marinha dos EUA se despede após 40 anos de serviço e fé inabalável
Após mais de quatro décadas servindo lado a lado com marinheiros, fuzileiros navais e guardas costeiros em tempos de paz e guerra, o Contra-Almirante Gregory Todd, Chefe de Capelania da Marinha dos EUA, se prepara para a aposentadoria. Em entrevista à CBN News, ele compartilhou reflexões sobre fé, serviço, sacrifício e o chamado que o manteve na ativa por mais de 40 anos.
Todd relembrou o início de sua trajetória como capelão, descrevendo-o como um chamado inicial movido pela fé, mas que exigiu aprendizado e crescimento. A Marinha, segundo ele, ofereceu a paciência necessária para que ele se desenvolvesse como líder e líder espiritual.
Os momentos mais marcantes de sua carreira, de acordo com o almirante, ocorreram em situações de crise. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, enquanto servia na Guarda Costeira em Nova York, a percepção sobre o papel dos militares mudou. “Depois do 11 de setembro, tornou-se muito pessoal. Houve aquela percepção. Esses militares, quer nos conhecessem ou não, eles estavam entre minha família e o que poderia machucá-los, e isso realmente me impulsionou naquele momento.”
“O que posso fazer por essas pessoas, o que posso fazer para prepará-las espiritualmente para os desafios que vão enfrentar?”
Ao abordar o papel dos capelões dentro das Forças Armadas, Todd citou o Salmo 23: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.” Ele explicou que o capelão atua como um guia, um representante de Deus, auxiliando os militares a atravessarem momentos difíceis.
Ao longo de sua carreira, o Contra-Almirante serviu em Ground Zero, no Iraque e no Afeganistão, além de ter atuado junto a marinheiros, fuzileiros e guardas costeiros ao redor do mundo. Como Chefe de Capelania, ele impulsionou legislação que permitiu a transferência de militares para o Corpo de Capelania, possibilitando a conclusão de sua formação enquanto permaneciam em serviço ativo.
Contudo, suas realizações mais gratificantes vieram em momentos de ministério mais íntimo. Ele destacou a importância de estar presente no sofrimento das pessoas, orar com elas e oferecer o conforto da presença divina. O batismo de um fuzileiro no Afeganistão e a subsequente conversão de seus colegas, bem como a oportunidade de compartilhar a mensagem do evangelho, foram experiências de grande orgulho.
Questionado sobre qual título o deixava mais orgulhoso, Todd respondeu sem hesitar: “Pai”. Ele considera este o título que mais valoriza, acima de qualquer outra designação militar, pois é para este papel que ele retornará, inclusive como avô, onde é carinhosamente chamado de “Popeye” pelos netos.
Ao aconselhar seu sucessor, o almirante enfatizou a importância de manter o foco nas pessoas a quem foram chamados a cuidar. “É tudo sobre o rebanho. É tudo sobre as pessoas que fomos chamados para cuidar, esse é o foco, essa é a coisa mais importante.”
A saída de Todd ocorre em um período de mudanças, com recentes decisões ministeriais afetando a atuação de capelães no Exército. Mesmo diante de tais transformações, ele acredita que o papel de liderança servidora deve permanecer focado na missão e no cuidado das almas dos militares e suas famílias.
Emocionado, o Contra-Almirante Todd encerrou seu ciclo na Marinha, cercado por família, amigos e colegas. Ele expressou uma profunda gratidão pelo serviço prestado e pelas oportunidades de seguir o chamado de Deus. “Não, obrigado pela oportunidade”, respondeu ele ao ser agradecido pelo serviço, ressaltando a bênção de ter seguido sua vocação.
Agora, em um período de transição, ele sente que Deus o chama a esperar, focar na família, que sacrificou tempo precioso ao longo de sua carreira, e continuar a contribuir com sua experiência e fé.
