Exército de Myanmar avança em guerra contra minorias étnicas e religiosas

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Myanmar militar conquista cidades estratégicas em meio a crescente repressão contra minorias étnicas e religiosas

O exército de Myanmar anunciou a tomada de duas cidades fronteiriças cruciais nas últimas semanas, em avanços significativos contra as milícias Karenni e Chin. Mawtaung, localizada na divisa com a Tailândia, foi capturada da União Nacional Karen, enquanto Tonzang, próxima à fronteira com a Índia, estava sob controle Chin desde maio de 2024. A situação para as diversas comunidades minoritárias do país, muitas delas com forte concentração cristã, torna-se cada vez mais precária após uma eleição considerada manipulada, que fortaleceu o controle militar sobre o poder.

As populações Chin e Karenni, que representam dois dos 135 grupos étnicos reconhecidos em Myanmar, são alvos duplos do exército, que promove um nacionalismo budista violento. Enquanto o país é majoritariamente budista (cerca de 91%), os povos Chin e Karenni apresentam altas taxas de cristãos, chegando a 90% e 50%, respectivamente. Essa demografia religiosa se deve, em parte, ao trabalho de missionários batistas pioneiros.

A instituição investigativa Bellingcat documentou recentemente a erradicação sistemática de vilarejos no estado ocidental de Rakhine pelo exército. As comunidades foram bombardeadas e incendiadas, chegando a serem removidas de mapas. Rakhine é o lar histórico dos muçulmanos Rohingya, que têm sido vítimas de um genocídio em andamento, com dezenas de milhares de mortos e mais de um milhão de deslocados.

O exército birmanês, conhecido localmente como Tatmadaw, viu suas fileiras se expandirem com dezenas de milhares de recrutas forçados, que enfrentam consequências criminais caso recusem o serviço. A China tem sido um investidor significativo, fornecendo armamentos em conjunto com a Rússia e apoiando o regime por meio de acordos de mineração lucrativos.

Analistas locais descrevem um clima de cansaço entre a população e a resistência. “Muitos dizem que a população local não se importa muito com quem ganhará a guerra, mas apenas que a luta pare”, relatou o analista político Aung Thu Nyein à Associated Press. Essa falta de apoio popular pode representar um risco para as milícias étnicas, que lutam contra o regime militar há décadas, com alguns temendo que a resistência possa se esgotar após quase 80 anos de conflito.

O parlamento atual de Myanmar é dominado por uma coalizão leal ao exército e pelo próprio Tatmadaw, que detém 25% das cadeiras constitucionalmente. Somando-se aos aliados, o controle militar atinge quase 90% das posições no legislativo bicameral. Min Aung Hlaing e o novo parlamento chegaram ao poder após eleições criticadas pela exclusão de partidos de oposição e pela impossibilidade de votação eficaz em áreas fora do controle militar.

A repressão religiosa tem sido uma constante. Relatórios como o da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), de março de 2025 e março de 2026, criticaram o Tatmadaw por sua perseguição sistemática a minorias religiosas. A USCIRF destacou que o país viu o deslocamento de mais de 3,5 milhões de pessoas nos últimos anos, incluindo dezenas de milhares em estados de maioria cristã. Igrejas, especialmente em áreas cristãs, continuaram a ser alvos de ataques aéreos e incêndios.

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