Pastor Silas Malafaia processado por injúria contra generais do Exército após declarações polêmicas na Avenida Paulista
O pastor Silas Malafaia está sendo processado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por injúria. A decisão, tomada pela Primeira Turma do STF em 28 de abril, aceitou a queixa-crime contra o religioso. Malafaia é acusado de ter atacado generais quatro estrelas do Exército, chamando-os de “covardes”.
As declarações foram proferidas em 6 de abril de 2025, na Avenida Paulista, em São Paulo. A PGR considera que as falas configuram os crimes de injúria e calúnia, previstos nos artigos 140 e 138 do Código Penal, por atentarem contra a honra de autoridades públicas.
O caso de Malafaia é citado como um exemplo de ativismo político-religioso no Brasil, envolvendo padres e pastores. A análise levanta questões sobre o processo contra o pastor e os limites do ativismo religioso na esfera pública.
Segundo a fonte, no cenário atual, xingar servidores públicos de alto escalão no Brasil pode ser considerado mais condenável, especialmente quando o agressor pertence a grupos conservadores e cristãos. A restrição à expressão pública é vista como antipática às liberdades fundamentais.
A discussão se aprofunda no papel do cristão na política e em seus objetivos. Silas Malafaia foi mencionado sem juízo de valor, mas muitos pastores, conforme observou Max Weber, agem com um “espírito capitalista”, buscando expandir o Reino de Deus e atuando como investidores.
A fonte questiona se o foco é a democracia ou o evangelismo, pontuando que o espírito protestante trouxe ousadia ao cristianismo, mas seus limites não podem se equiparar aos dos socialistas. “O céu está em cima, não embaixo”, ressalta a publicação, citando também “Católicas Pelo Direito de Decidir” e outros “delírios socialistas”.
A questão fundamental é saber se quem vota é o cristão ou o cidadão. A publicação critica a ideia de que religião e política não se misturam, originada na acusação de que aqueles que buscam melhorar a cidade terrena são pecadores. É crucial entender quem mistura religião e política, como, por quê e quando essa combinação é benéfica.
Cristo manteve uma relação negativa com a política, enfrentando dificuldades. A Igreja Católica, ciente da inclinação humana para resolver problemas mundanos, nunca apoiou o ativismo político de clérigos. O problema não é a igreja, mas a “vontade herética” de padres e pastores influenciados pelo socialismo, que “romantizam o mundo” e ignoram a falibilidade humana.
A Igreja Católica interveio para limitar a Democracia Cristã no início do século XX, temendo que o envolvimento político comprometesse a instituição. Exemplos incluem a Encíclica Graves de communi (1901) do Papa Leão XIII, que determinou que “democracia cristã” tivesse apenas um “benfazejo ação cristã em relação ao povo”, direcionando-a ao catolicismo social.
Houve também a Dissolução da Obra dos Congressos (1905) sob Pio X, que desconfiava do ativismo político católico. A ala democrata-cristã liderada por Don Romolo Murri defendia reformas na Igreja e maior promoção do laicado, visto como ameaça às estruturas hierárquicas. Em 1908, Pio X condenou a imprensa democrata-cristã, e em 1910, a Carta sobre o Sillon reprovou a ideia de que a democracia seria condição para a missão evangelizadora.
Cristãos com objetivos sociais, influenciados pela fé em milagres, estariam buscando um mundo igualitário, almejando o que socialistas e comunistas desejam? Ou estão evangelizando para manter o cristianismo? A fonte sugere que crer na eliminação da miséria é “conversa de político fraudulento”.
A publicação relembra o Paraíso e o Céu, com o primeiro tendo sido eliminado e retornando como Céu, um estado de sofrimento e angústia na espera. Ser cristão é seguir Jesus Cristo e adotar a fé cristã, e não apenas enfrentar pautas ideológicas que distorcem o mundo.
Claude Geffré, dominicano, afirma que a vida cristã não é pré-definida e que o cristianismo não tem especificidade, existindo um “gênero cristão”. Joseph Folliet distingue a Igreja do catolicismo social, com a Igreja rejeitando o catolicismo fundamentado em ciência ou técnica social. A Igreja de Cristo precisa saber distinguir entre luta política e luta por Cristo.
