Seis cristãos detidos na China por ministério infantil em escola bíblica são acusados de crimes graves pela polícia
Seis cristãos foram presos na China após conduzirem uma Escola Bíblica Dominical destinada a crianças. Os indivíduos, que lideram uma igreja doméstica na cidade de Kaili, província de Guizhou, foram detidos pela polícia sob falsas acusações. A ChinaAid, organização que documenta a perseguição a cristãos, relatou que os detidos incluem cinco homens e uma mulher.
Eles foram acusados de “organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” e de “fraude”. Segundo a legislação chinesa, o crime de “organizar menores para se envolverem em atividades que minam a ordem pública” geralmente se refere a atos como roubo ou violência, o que levanta preocupações sobre a aplicação indevida da lei em casos de educação religiosa.
Bob Fu, presidente da ChinaAid, classificou as detenções como um “aumento profundamente preocupante da campanha da China contra a liberdade religiosa”. “Criminalizar a escola dominical e o compartilhamento pacífico da fé com as crianças é um abuso ultrajante da lei e um ataque direto aos direitos fundamentais dos pais e das igrejas”, declarou Fu.
“Isso mostra até onde o PCC (Partido Comunista Chinês) está disposto a ir para suprimir a crença religiosa independente. A constituição da China diz que protege a crença religiosa, mas na prática o PCC está mirando em cidadãos cumpridores da lei que, por acaso, frequentam a igreja com seus filhos.”
As famílias dos detidos contrataram advogados para a defesa, mas a Procuradoria da Cidade de Kaili aprovou as prisões sem considerar os pareceres jurídicos dos defensores, contrariando procedimentos legais. Os seis líderes permanecem sob custódia.
A organização apela à comunidade internacional e a organizações de direitos humanos para que monitorem de perto o caso e se manifestem contra o que chamam de “sistema maligno que oprime violentamente pessoas de fé”. O pedido inclui orações pelos cristãos encarcerados.
Este incidente ocorre em um contexto de crescente repressão religiosa na China. No último ano, o governo implementou novos regulamentos que proíbem a evangelização de jovens e restringem o conteúdo cristão online. As novas regras impedem pastores e igrejas de evangelizar menores pela internet e de organizar retiros e treinamentos para crianças e jovens.
Líderes religiosos que infringirem essas novas leis podem enfrentar punições administrativas, como a suspensão de credenciais religiosas, o fechamento de contas online e investigações criminais. A China figura na 17ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2024 da Missão Portas Abertas, indicando o alto grau de dificuldade para cristãos no país.
