Igreja na Indonésia enfrenta impasse para construção após pressão comunitária e dificuldades administrativas
A construção da casa de culto da Igreja Toraja na área de Sungai Keledang, em Samarinda, na província de Bornéu Oriental, Indonésia, segue sem solução. Apesar de cumprir todos os requisitos administrativos e técnicos submetidos em 2025, o governo local ainda não emitiu o alvará de construção. A congregação alega que o governo municipal de Samarinda tem praticado atos discriminatórios, resultando em acusações de má administração no processo de emissão da licença.
Por quase dois anos, a comunidade da Igreja Toraja em Sungai Keledang tem enfrentado uma série de obstáculos. A resistência de alguns grupos comunitários e a demora no processo de licenciamento junto à Agência de Investimento e Serviços Integrados (DPMPTSP) são pontos centrais da disputa.
Segundo o Rev. Hendra Kusuma, presidente da Aliança Nacional para a Liberdade de Religião e Crença (AKKBB) de Bornéu Oriental, os documentos da igreja, já declarados completos, têm sido constantemente rejeitados entre o Ministério de Obras Públicas e Planejamento Espacial e o Departamento de Obras Públicas e Planejamento Espacial. A igreja, com cerca de 160 fiéis, já obteve recomendações favoráveis do Fórum de Harmonia Inter-religiosa (FKUB) em setembro de 2024 e do Ministério de Assuntos Religiosos em abril de 2025, indicando o cumprimento das exigências da regulamentação ministerial de 2006.
“Se toda igreja que atende aos requisitos for negada a permissão devido à pressão de rejeição, por quanto tempo a igreja receberá seus direitos e justiça?”, questionou o Rev. Hendra.
Ele classificou a situação como má administração e violação do direito à liberdade religiosa, anunciando a intenção de buscar medidas legais. “Iremos imediatamente reportar o Governo Municipal de Samarinda, especificamente o PTSP, ao Ombudsman e à Comissão Nacional de Direitos Humanos (Komnas HAM), por má administração e violações dos direitos da congregação da Igreja Toraja”, declarou.
A Rev. Meliasni Panggalo, que atende à congregação local, expressou desapontamento com a situação. Ela relatou que os cultos continuam sendo realizados ao ar livre, com infraestrutura limitada. “Nossos cultos são realizados ao ar livre, ao lado, sob o pastorado. A congregação precisa desesperadamente de um prédio de igreja permanente para que os serviços religiosos não sejam perturbados pelo clima”, disse.
Este caso se soma a uma longa série de desafios na construção de igrejas na Indonésia, frequentemente marcada por um conflito entre regulamentações administrativas e dinâmicas sociais locais.
