Azerbaijão nega genocídio cultural após demolição de igrejas em Nagorno-Karabakh

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Azerbaijão confirma demolição de igrejas históricas em Nagorno-Karabakh e rebate acusações de genocídio cultural armênio

Imagens de satélite revelaram a demolição de duas igrejas cristãs históricas na cidade de Stepanakert, principal centro urbano de Nagorno-Karabakh, que está sob controle do Azerbaijão desde setembro de 2023. A Catedral da Santa Mãe de Deus e a Igreja de São Jacó foram destruídas, segundo informações divulgadas pela Rádio Europa Livre.

Autoridades religiosas armênias classificaram a ação como parte de uma campanha para erradicar o patrimônio religioso armênio na região. A demolição da Catedral da Santa Mãe de Deus, principal local de culto cristão da cidade, ocorreu após a área ter sido cercada para obras no início de fevereiro. A Igreja de São Jacó, concluída em 2007 e financiada por um filantropo armênio-americano, também foi confirmada como destruída, juntamente com cruzes de pedra no seu entorno, conforme relatado pela Igreja Armênia.

O Conselho Muçulmano do Cáucaso, por sua vez, confirmou que a demolição das estruturas foi planejada pelo Estado. Segundo o órgão, as construções teriam sido erguidas de forma “ilegal” durante o período de ocupação armênia do território. O conselho sustentou que a remoção não deve ser interpretada como destruição de patrimônio religioso ou cultural e que moradores azerbaijanos que retornaram à cidade pressionaram pela retirada de estruturas consideradas inexistentes antes de um determinado período.

A Santa Sé de Etchmiadzin acusou o Azerbaijão de “atacar deliberadamente locais sagrados cristãos armênios, buscando apagar a presença armênia” na região. Em resposta, o Conselho Muçulmano do Cáucaso rejeitou a acusação, classificando-a como “uma manifestação de hostilidade e desinformação”. A deputada Elnare Akimova descreveu os relatos como “uma provocação das forças revanchistas”, reafirmando que o país tem como política de Estado a preservação de monumentos religiosos e históricos.

Lernik Hovhannisyan, presidente do Conselho Diocesano de Artsakh, contestou essa versão, apontando que a população armênia sempre foi predominante em Stepanakert. Ele questionou a ausência de explicações sobre a destruição de outras igrejas históricas em Shushi, como as de Hora Verde e Mokhrenes, o que, segundo ele, contrasta com a imagem de tolerância religiosa promovida pelo Azerbaijão. Hovhannisyan também levantou dúvidas sobre o destino de milhares de monumentos históricos em outras regiões, afirmando que as demolições são incompatíveis com princípios internacionais de autodeterminação.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), por meio do Grupo de Minsk, reconheceu em documentos o direito à autodeterminação da população armênia da região. O grupo, copresidido por França, Rússia e Estados Unidos, tornou-se inativo após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

O tema ganhou repercussão política interna na Armênia, com críticos acusando o primeiro-ministro Nikol Pashinyan de não buscar uma condenação internacional contra Baku. Pashinyan indicou cautela, afirmando que o governo reúne informações, mas ponderou que, com base na experiência anterior, não se deve tornar o assunto um tema de discussões internacionais em nível estatal, devido ao risco de ser uma “faca de dois gumes”.

Cerca de 120 mil armênios deixaram Nagorno-Karabakh após ofensivas militares que culminaram no controle total do território pelo Azerbaijão em setembro de 2023. Nadine Maenza, ex-presidente da Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional, classificou a destruição das igrejas como “genocídio cultural após a limpeza étnica de 120.000 pessoas”.

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