Eleição na Hungria: Mudança de poder acende alerta para judeus e israelenses

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Mudança na liderança húngara após eleição histórica gera incertezas para comunidades judaicas e relações com Israel

A Hungria vivenciou um resultado eleitoral sem precedentes neste domingo, marcando o fim de 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. A expressiva derrota do atual líder para seu oponente, Peter Magyar, levanta questionamentos sobre o futuro da comunidade judaica no país e a liberdade de israelenses que visitam a nação.

Durante seu mandato, Orbán manteve laços estreitos com figuras como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-presidente Donald Trump, adotando medidas de apoio a Israel. Um exemplo notório foi a visita de Netanyahu a Budapeste em abril de 2025, quando Orbán se comprometeu a não cumprir um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional.

A vitória de Peter Magyar confere a ele uma expressiva maioria parlamentar de dois terços, totalizando 138 das 199 assentos. Essa conquista lhe dá o poder de reverter mudanças constitucionais implementadas por Orbán, muitas das quais visavam reforçar as fronteiras húngaras e a resistência às políticas de migração da União Europeia. A Hungria tem arcado com multas diárias de 1 milhão de euros desde junho de 2024 para manter suas fronteiras fechadas a imigrantes ilegais.

A comunidade judaica na Hungria, estimada em cerca de 100.000 pessoas, tem vivido de forma relativamente tranquila. Budapeste é um destino turístico popular entre israelenses, não apenas por sua arquitetura, banhos termais e gastronomia, mas também pela liberdade de expressar a identidade judaica e falar hebraico.

O Jewish Independent descreve a capital húngara como um local onde é possível transitar sem encontrar grafites anti-Israel, manifestações com bandeiras palestinas ou preocupações com assédio em universidades. A publicação também nota a raridade de encontrar indivíduos abertamente pró-Palestina, embora um empresário palestino, identificado como Jozeph, tenha expressado a CBN News que, embora aprecie seus amigos judeus húngaros, não nutre sentimentos positivos em relação a Israel, defendendo a ideia de que toda a região pertence à Palestina.

O futuro das relações entre Hungria e Israel está agora em xeque. Enquanto alguns analistas preveem a continuidade dos laços bilaterais, outros alertam para uma possível deterioração da relação entre os dois aliados.

Daniel Cohen, do Real Life Network, manifestou preocupação via Instagram, criticando a eleição de Peter Magyar como um erro massivo e atribuindo o resultado à influência da União Europeia e de George Soros. Cohen lamenta a saída de Orbán, que ele considera um “firewall” contra o que vê como uma erosão de fronteiras fortes, identidade nacional e resistência à migração islâmica na Europa, alertando para uma possível mudança no caráter do país.

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