Igrejas enfrentam dilema com avanço da IA, aponta pesquisa
Uma parcela significativa de líderes religiosos, especificamente 65% dos pastores, expressa preocupação com o potencial da inteligência artificial (IA) de enfraquecer seu papel na orientação espiritual. Esta inquietação surge em um cenário onde muitos líderes da igreja já adotam a tecnologia em diversas frentes de seu trabalho, conforme aponta o estudo “Technology for Missional Impact: State of Church Tech 2026”.
A pesquisa, realizada pelo Barna Group em colaboração com a Pushpay, indica que, embora a IA esteja se tornando uma ferramenta cada vez mais presente, as preocupações éticas e de autenticidade pairam sobre o seu uso. Enquanto a tecnologia promete otimizar tarefas, a sua capacidade de replicar a profundidade da conexão humana e da orientação espiritual é um ponto de tensão para muitos.
Uso e receio da inteligência artificial no meio religioso
Dados do estudo revelam que aproximadamente 60% dos líderes de igreja utilizam a IA para fins pessoais, pelo menos algumas vezes por mês. No entanto, a adoção institucional ainda é moderada: cerca de 58% das igrejas não utilizam IA atualmente, enquanto 33% relatam algum nível de implementação e 8% mostram-se incertos.
As preocupações são multifacetadas. Um percentual expressivo de 51% dos líderes está “muito preocupado” com plágio e a “integridade da mensagem comprometida”. Adicionalmente, 49% manifestam grande receio quanto à perda de autenticidade na pregação, e 83% demonstram preocupação, seja forte ou moderada, com a privacidade dos dados.
A necessidade de estabelecer políticas claras sobre o uso da IA é um ponto destacado pelos pesquisadores. A maioria dos líderes (64%) considera importante que as igrejas definam diretrizes para o uso da tecnologia, porém, apenas 5% das organizações possuem uma política estabelecida.
Perspectivas sobre a IA e a fé
A percepção sobre o valor da orientação espiritual fornecida por IA varia entre os fiéis. Cerca de um terço dos cristãos praticantes acredita que o conselho espiritual gerado por inteligência artificial tem o mesmo valor que o oferecido por um pastor. Essa crença é mais acentuada entre os praticantes regulares do que em outros grupos.
Embora poucos pastores temam a substituição completa pela IA, o receio de que a tecnologia possa minar a sua liderança espiritual (65%) e a confiança dos fiéis (70%) é palpável. A pesquisa aponta a existência de um “descompasso significativo entre o senso de responsabilidade dos líderes e a prontidão de suas organizações” em lidar com essas novas ferramentas.
Benefícios da tecnologia na vida da igreja
Apesar dos desafios e preocupações, o relatório também destaca resultados positivos relacionados ao uso da tecnologia. Uma vasta maioria, 79% dos líderes, afirma que a tecnologia melhorou significativamente ou moderadamente as conexões entre os membros da congregação. Outros 61% relatam que a tecnologia ajudou a aprofundar a fé em suas comunidades, e 78% indicam que o trabalho ministerial se tornou, pelo menos em parte, mais fácil.
