A expansão acelerada dos data centers impulsionada pela inteligência artificial está elevando o consumo de energia e gerando aumento nas contas de luz de americanos, com projeções indicando a necessidade de mais eletricidade do que um país inteiro em poucos anos.
Os data centers, antes discretos, tornaram-se foco de um debate nacional nos Estados Unidos devido à crescente demanda gerada pela inteligência artificial (IA). A região de Ashburn, na Virgínia, conhecida como “Data Center Alley”, já processa cerca de 70% do tráfego mundial da internet e experimenta um aumento exponencial na necessidade de infraestrutura.
Segundo Mark Mills, Diretor Executivo do National Center for Energy Analytics, o volume de data centers em construção, sem considerar previsões futuras, já supera a quantidade construída nas últimas duas décadas. Ele aponta que, embora a Virgínia concentre a maior parte dessas instalações, a busca por mais espaço e energia tem levado a uma expansão em diversas direções pelo país, com o Texas apresentando o maior número de novos projetos anunciados.
O rápido desenvolvimento dessas estruturas, comparáveis em tamanho a um super Walmart, gera reações negativas. Chris Miller, Presidente do Piedmont Environmental Council, observa que áreas antes rurais estão sendo transformadas por construções imensas, muitas vezes sem planejamento prévio. Ele estima que o custo total para suprir essa demanda possa chegar a centenas de bilhões de dólares, um ônus que pode recair sobre os consumidores.
“As pessoas já estão percebendo grandes aumentos em suas contas de eletricidade nos últimos dois anos, na faixa de 30%”, disse Miller ao CBN News. Embora reconheça a impossibilidade de frear completamente a construção de data centers, o objetivo é desacelerar o ritmo e planejar seus impactos.
A questão do custo chegou ao Congresso, com o então presidente Donald Trump declarando que as grandes empresas de tecnologia deveriam arcar com suas próprias necessidades de energia. “Estamos dizendo às grandes empresas de tecnologia que elas têm a obrigação de fornecer suas próprias necessidades de energia”, afirmou Trump em seu discurso do Estado da União em fevereiro.
A ascensão da IA, segundo Mills, exigirá um acréscimo de eletricidade equivalente ao consumo de um país inteiro na rede dos EUA nos próximos cinco a dez anos. Ele compara a computação convencional a um carro, enquanto a IA seria um caminhão, constantemente lidando com grandes volumes de dados.
Diante dos desafios energéticos, hídricos e de uso do solo, Elon Musk propôs uma solução radical: enviar data centers para o espaço. Mills menciona a rede Starlink, com seus 6.000 satélites, como prova de que a tecnologia é viável.
“Você tem que se preocupar em colidir com detritos espaciais… você teria que lidar com uma questão tremenda de coordenação de naves espaciais, garantindo que você não esbarre em outros satélites”, explicou Victoria Samson, Diretora Chefe de Segurança e Estabilidade Espacial da Secure World Foundation.
Samson também alerta para riscos como interferência de adversários, bloqueio de transmissões (jamming), falsificação de informações (spoofing) e até ataques cibernéticos à infraestrutura espacial.
Mills prevê que data centers no espaço se tornarão realidade, mas não necessariamente para aliviar os custos de energia na Terra. A energia utilizada para lançar equipamentos ao espaço funcionaria como uma troca energética. Ele estima que cerca de 10% da capacidade global de data centers pode acabar em órbita no futuro, enquanto os outros 90% permanecerão em terra firme.
Especialistas concordam que os Estados Unidos não estão ficando sem energia, mas atender a essa nova e crescente demanda exigirá decisões cruciais sobre infraestrutura, custos e prioridades, as quais, por ora, continuam sendo tomadas na Terra.
