Pesquisadora Tatiana Coelho apresenta potencial cura para lesões medulares com a “proteína de Deus” em estudo pioneiro
A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio revelou o potencial terapêutico da polilaminina, uma molécula sintética que demonstrou capacidade de regenerar lesões na medula espinhal causadas por traumas, podendo restaurar movimentos em casos de paraplegia e tetraplegia. Durante entrevista ao programa “Conversas com Hildgard Angel”, veiculado pela TV 247, a cientista detalhou os resultados de sua pesquisa de mais de duas décadas, conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A descoberta, que utiliza uma forma modificada da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano, foi descrita por Sampaio como a “proteína de Deus”.
A polilaminina é desenvolvida em laboratório a partir da laminina, fundamental na regeneração do sistema nervoso durante o desenvolvimento embrionário. A molécula sintética atua estimulando a reconexão de fibras nervosas após lesões, um avanço significativo para a medicina regenerativa.
Tatiana Coelho de Sampaio explicou a inspiração por trás da molécula, comentando sobre o formato da laminina. “A laminina tem formato de uma cruz. A polilaminina são várias de mãozinhas dada”. A pesquisadora, em tom descontraído, brincou sobre a denominação popular dada à substância. “Não conta para ninguém. Graças a Deus, ainda não saiu isso, porque no dia que sair eu estou perdida, porque aí vão dizer mesmo que é proteína de Deus”, disse ela, ao que a apresentadora respondeu: “Não, mas é a proteína de Deus, está acabado!”.
“A laminina tem formato de uma cruz. A polilaminina são várias de mãozinhas dada”.
Resultados promissores em fase experimental e janela terapêutica
Um estudo experimental com oito pacientes diagnosticados com lesão medular grave e sem perspectiva de recuperação de movimentos resultou na recuperação parcial de seis participantes, com um deles voltando a andar. O estudo, realizado pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália, indica que a aplicação da polilaminina deve ocorrer até 72 horas após a lesão, período considerado a janela terapêutica ideal.
No Brasil, o primeiro paciente a receber o tratamento experimental foi Luiz Otávio Santos Nunez, um militar de 19 anos que ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo. Após uma ação judicial, ele teve acesso ao medicamento e, 12 dias após a aplicação no Hospital Militar de Campo Grande, voltou a mover a ponta de um dos dedos da mão.
Sampaio ressalta que a eficácia fora da janela terapêutica não é garantida. “Ainda são estudos e o que posso dizer é que quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade [de regeneração] é maior por conta de todo o processo patológico”, alertou a bióloga.
Atualmente, o medicamento está em fase experimental e em processo de estudos clínicos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
