Igreja protestante não registrada é demolida e 4 membros são detidos na China, em nova onda de repressão governamental
Uma igreja protestante não registrada, conhecida como Igreja Yazhong ou Yayang, foi demolida em Wenzhou, na província de Zhejiang, China. A ação faz parte de uma crescente repressão do Partido Comunista Chinês (PCC) contra congregações que não se submetem às diretrizes estatais. A organização ChinaAid, que apoia cristãos perseguidos no país, relatou que veículos pesados de construção foram utilizados para destruir o templo de múltiplos andares.
A perseguição à Igreja Yazhong se intensificou desde o ano passado, após a recusa dos fiéis em adotar medidas impostas pelas autoridades locais, como a instalação da bandeira chinesa no local. Em junho de 2025, funcionários do governo invadiram o templo, derrubaram parte do muro externo e ergueram um mastro para a bandeira, o que gerou protestos por parte dos cristãos.
Em dezembro, autoridades locais realizaram uma operação que resultou na prisão de 103 membros da igreja e na tomada do prédio. Nas semanas seguintes, o templo foi fechado, postos de controle foram estabelecidos e a cruz no topo do edifício foi removida, com o prédio sendo coberto por lonas pretas. Durante a demolição, mais quatro membros foram detidos, incluindo You Ci’en, segundo fontes locais.
“Qualquer igreja que não queira se submeter ao poder estatal — mesmo sem ter qualquer envolvimento político — o Partido Comunista Chinês sente que precisa silenciar e até destruir”, explicou Bob Fu, presidente da ChinaAid.
Fontes locais indicam que fiéis que tentam divulgar informações sobre o ocorrido continuam sendo presos e interrogados pela polícia. A cidade de Wenzhou, conhecida por sua grande população cristã e apelidada de “Jerusalém da China”, tem vivenciado um aumento na repressão governamental nos últimos meses.
“Meus irmãos e irmãs na fé se mantiveram firmes por tanto tempo. Mais do que a perda de um prédio de igreja, lamento como o PCC reprimiu esta área conhecida por seus cristãos fiéis e os oprimiu cada vez mais dia após dia”, declarou Bob Fu.
A China figura em 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas, que aponta os países onde ser cristão é mais difícil. A ChinaAid expressou preocupação com a escalada da opressão e espera que os eventos despertem a Igreja global para o conflito entre fiéis e o poder estatal no país.
