Veteranos revivem memórias da sangrenta batalha de Iwo Jima mais de 80 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial
Mais de oito décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, veteranos que lutaram na icônica batalha de Iwo Jima retornam ao local para homenagear os companheiros tombados e relembrar os horrores vividos. A ilha vulcânica, cenário de um dos confrontos mais cruéis do conflito, se tornou um símbolo de coragem e sacrifício. Em 1945, quase 70.000 fuzileiros navais americanos desembarcaram em Iwo Jima, enfrentando um inimigo oculto e um terreno projetado para aniquilar. A fonte original detalha que a guerra em Iwo Jima perdurou por 36 dias.
Frank Wright, veterano de Iwo Jima, descreveu o combate feroz. “Eles lutavam com o que tinham, era imediato. Lutavam com pás. Lutavam com pedras. Lutavam com suas armas. Tudo o que tinham”, relatou. A estratégia japonesa transformou a ilha em uma fortaleza. Defensores fortificaram o local com esconderijos e quilômetros de túneis, uma tática de defesa profunda que tornava cada metro de terreno um campo de batalha mortal. James Oelke-Farley, historiador da Segunda Guerra Mundial, explicou que muitos soldados americanos sequer avistavam o inimigo. “Eles sabiam que iam morrer. Não havia volta para casa de Iwo Jima. Cada homem naquela ilha sabia que este era o fim, e lutaram de acordo”, afirmou.
A maior parte dos soldados japoneses, cerca de 23.000 homens, estava escondida em quase 18 quilômetros de túneis subterrâneos, alguns com até sete andares de profundidade sob o Monte Suribachi. Isso fez com que bombardeios e ataques de artilharia tivessem pouco efeito sobre as tropas inimigas. Em meio ao caos, a imagem icônica da bandeira americana sendo hasteada no Monte Suribachi trouxe um momento de esperança para a nação, mas para os combatentes, era apenas o início da árdua luta. Segundo Oelke-Farley, a batalha resultou em 6.821 americanos mortos em ação, com uma média de mil mortes por dia em uma ilha no meio do Pacífico.
Charles Cram, outro veterano, relembrou a cautela após o hasteamento da bandeira. “Eles nos disseram para não ficarmos muito felizes com isso. A guerra não tinha acabado. Não tinha acabado de jeito nenhum. Ainda teríamos que avançar para o outro lado da ilha”, disse. A Praia Vermelha, hoje pacífica, foi palco de um desembarque sangrento no primeiro dia, com 566 mortos. O alto valor que os soldados atribuíam à sua missão os impulsionou a continuar avançando, mesmo sobre os corpos dos caídos.
O custo da batalha foi devastador. Mais americanos morreram em Iwo Jima do que em qualquer outra batalha no Pacífico. Contudo, as lições aprendidas moldaram o futuro da guerra e da medicina. Oelke-Farley comparou a intensidade do conflito com campanhas mais recentes. “Passamos mais de dez anos no Iraque, 14, 15 anos no Afeganistão combinados. Nesse período, perdemos menos homens do que os perdidos em Iwo em 36 dias. Essa é uma estatística assustadora. Mas também é uma estatística incrível, que mostra os avanços da medicina militar, os avanços em táticas e estratégia”, explicou, destacando que os ensinamentos da batalha ainda são ministrados em academias militares.
Para os sobreviventes, as memórias são profundas. “Guerra é inferno. Dei um discurso para o Rotary Club sobre guerra – o que é guerra. Não enviem as crianças para lá”, advertiu o veterano Frank Wright. Atualmente com quase 90 anos ou mais, os veteranos remanescentes de Iwo Jima são poucos. Esta pode ser a última oportunidade para que eles pisem novamente nessas praias e homenageiem os camaradas deixados para trás. James Caminiti, veterano de Iwo Jima, compartilhou sua visão sobre a honra: “Não é honrar a mim. Honram o serviço. E as pessoas que realmente deveriam ser honradas são as que estão no chão. Esses são os heróis, não os que voltaram”.
