Intensifica-se o embate diplomático entre Estados Unidos e Irã com movimentos em Doha e recado de Netanyahu ao Hezbollah
A batalha diplomática entre os Estados Unidos e o Irã está ganhando força, mesmo com a desaceleração do conflito militar. Enquanto os EUA apontam avanços nas negociações, Teerã diverge sobre o progresso. Paralelamente, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu enviou uma mensagem firme ao Hezbollah e ao Irã durante visita a tropas israelenses no sul do Líbano. O diálogo entre as partes ocorre de forma indireta, com o Catar atuando como mediador em Doha.
Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram ao Catar na terça-feira para facilitar as negociações, que visam a ativação de um Memorando de Entendimento e a liberação de ativos iranianos congelados. O chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Galibaf, indicou a formação de um comitê conjunto entre Irã, Estados Unidos e Líbano para supervisionar o fim da guerra e a restauração da soberania nacional. Além disso, Galibaf anunciou que navios que passarem pelo Estreito de Ormuz estarão isentos de taxas de trânsito nos primeiros sessenta dias após a reabertura da via estratégica.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump revisou planos para possíveis ações militares com o secretário de Guerra Pete Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine. Apesar de opções mais drásticas terem sido discutidas, o presidente optou por estender o tempo para conversas nucleares indiretas, buscando desmantelar o programa nuclear iraniano sem escalar para um conflito mais amplo. Fontes indicam que Trump está preparado para ordenar ataques direcionados caso o Irã viole o acordo atual, mantendo a opção militar ativa caso a diplomacia falhe.
No sul do Líbano, Benjamin Netanyahu declarou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão na região enquanto o Hezbollah mantiver presença armada e ameaçadora. “Enquanto um Hezbollah armado estiver aqui, ameaçando-nos, nós ficaremos”, afirmou Netanyahu, dirigindo-se ao grupo e seus apoiadores no Irã: “O Líbano reconhece Israel, Israel reconhece o Líbano, e eles dizem para o Irã e para o Hezbollah ‘Saiam daqui’.” O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, alertou que o Irã poderia atacar Israel em defesa de seu aliado libanês. Após discussões com a Casa Branca, as IDF foram instruídas a recuar, uma decisão que Katz atribuiu a interesses americanos focados em avançar as negociações com o Irã, o que, segundo ele, “salvou o Hezbollah, talvez até de seu colapso”.
Em Gaza, o Hamas demonstra sinais de reorganização para um futuro conflito, segundo a IDF. Novas informações de inteligência confirmam o recrutamento de jovens, intensificação do treinamento da força Nukhba, fabricação mensal de centenas de foguetes e dispositivos explosivos, e expansão de redes de contrabando para importação de peças de drones e equipamentos militares. Tropas israelenses continuam operando na zona de segurança de Gaza para proteger comunidades fronteiriças. Relatos recentes indicam que Washington informou Israel que não há apoio internacional para uma nova ofensiva em larga escala em Gaza.
