Operação conjunta entre exércitos da RDC e Uganda liberta grupo mantido em cativeiro por rebeldes durante ofensiva na província de Ituri
Vinte e nove pessoas foram libertadas no final de outubro após semanas sob o domínio do grupo extremista Allied Democratic Forces (ADF) na região leste da República Democrática do Congo (RDC). O resgate ocorreu durante uma operação militar estratégica conduzida pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) em parceria com o exército de Uganda (UPDF), conforme reportou o portal Persecution.org.
Muitos dos sobreviventes haviam sido capturados enquanto trabalhavam em suas terras agrícolas. Relatos indicam que os reféns foram submetidos a condições degradantes, sendo mantidos amarrados e forçados a deslocamentos constantes entre acampamentos improvisados nas florestas de Biakato e Alimbako.
“Estávamos nos campos colhendo mandioca quando o ADF apareceu repentinamente. Eles nos amarraram, levaram nossas motocicletas e nos trouxeram para o mato onde sofremos seriamente. Às vezes, recebíamos apenas bananas ou uma pequena quantidade de comida”, descreveu um dos sobreviventes sobre a rotina de ameaças constantes, fome e doenças que resultaram na morte de vários outros cativos.
Autoridades locais confirmaram que os sobreviventes estão passando por um processo de reintegração com suas famílias, embora enfrentem traumas físicos e psicológicos severos. “Estamos felizes em informar a comunidade que, após quase um mês em cativeiro no mato, vários sobreviventes estão gradualmente se reunindo com suas famílias graças ao trabalho conjunto feito pelas FARDC e pela UPDF”, destacou um representante do governo em Ituri.
Assistência e segurança regional
O governo local estabeleceu um plano de assistência para assegurar que os resgatados não sejam desamparados após o retorno às suas comunidades. O resgate ocorreu ao longo da estrada Nduye-Dingbo, um ponto crítico de atuação dos militantes.
As autoridades pedem que a população colabore denunciando movimentações suspeitas para prevenir novas investidas. “Como autoridades, trabalhando ao lado das forças de defesa e segurança, faremos todo o possível para resgatar pessoas das mãos de criminosos e do grupo islâmico ADF, exortando as comunidades a denunciarem qualquer pessoa suspeita de apoiar militantes armados”, afirmou um oficial militar.
Apesar da esperança gerada pela libertação, o temor por novos ataques persiste entre a população cristã da região, que continua a clamar por paz e segurança duradoura na área.
