Rancho em Israel oferece terapia com cavalos para curar feridas invisíveis da guerra a crianças e soldados traumatizados
Próximo à rota onde se acredita que Jesus contou a parábola do Bom Samaritano, um rancho nas Colinas da Judeia se tornou um refúgio de cura. Ruthy Mann, proprietária do local, utiliza cavalos para ajudar na recuperação de traumas, um trabalho que tem ganhado força especialmente após os eventos de 7 de outubro de 2023.
O local, que serve a mais de 350 crianças em situações de trauma, expandiu seu atendimento para incluir soldados. Mann relatou a chegada de um ex-aluno que ficou gravemente ferido em um ataque a tanque na Faixa de Gaza. Ele havia ficado inconsciente por um mês e, ao retornar para casa, seu primeiro destino foi o rancho, onde continua o tratamento há quase dois anos.
Ruthy Mann explicou a importância da interação com os animais no processo terapêutico. Ela observou que, em alguns casos, a agressividade de um soldado ferido era espelhada pela reação do cavalo, oferecendo um ponto de partida para o trabalho de acalmar e processar o estresse. “E agora podemos pegar essa cena e começar a trabalhar, e dizer ‘Ok, vamos começar a nos acalmar'”, disse Mann sobre o processo.
Soldados relatam o impacto positivo do rancho em suas vidas. Um militar, que preferiu não se identificar e foi chamado de Soldado 1, compartilhou que, após anos em uma unidade de inteligência, passou a sofrer com ataques de pânico e pesadelos. Ele descreveu como o som de skates o lembrava do barulho de mísseis, resultando em perda de peso, insônia e fadiga extrema.
“Eu acho que a maior parte do crédito precisa ir para Ruthy. Trabalhar com cavalos no rancho ajudou o Soldado 1 a recuperar algo que ele pensava ter perdido. Algo em estar aqui simplesmente te acalma. Tudo com cavalos é sobre sentir.”
O Tenente-Comandante Elia, após múltiplas missões desde 7 de outubro, também encontrou refúgio no rancho. “Sem este lugar, não sei o que eu faria”, afirmou Elia. Ele considera o local uma “medicina” para ele e outros soldados.
A iniciativa de Ruthy Mann atraiu voluntários de diversas partes do mundo, incluindo cowboys cristãos americanos. Joshua Waller, organizador do grupo de cowboys, explicou que foram acionados após o massacre de 7 de outubro. “Eles largaram tudo o que estavam fazendo”, comentou Waller sobre a mobilização.
Um dos cowboys, conhecido como Charlie, descreveu a experiência como uma das coisas mais especiais de sua vida. “Nós nos tornamos uma família, quase instantaneamente”, relatou. Juntos, eles auxiliaram na construção de um centro de resiliência para soldados das Forças de Defesa de Israel, utilizando pedras recolhidas das colinas locais e decorado com uma Estrela de Davi.
Cowboy Charlie declarou: “Éramos as únicas pessoas não judias naquela fila esperando pela segurança. E eis que, acho que ela (Ruthy) tirou uma foto nossa. Bem, isso foi para algumas redes sociais. E quando pousamos em Tel Aviv, as pessoas vinham nos cumprimentar e apertar nossas mãos…”
Para Chaim Mann, marido de Ruthy, a localização do rancho, na mesma região onde a história do Bom Samaritano teria ocorrido, não é coincidência. Ele acredita que o local está cumprindo um propósito divino de ajudar guerreiros a transitar do modo de sobrevivência para a vida.
A história da compaixão bíblica ecoa nos dias atuais no Ruthy’s Ranch, onde estranhos de todo o mundo se unem para oferecer cura a militares e crianças, transformando o sofrimento em esperança.
