A busca do Partido Comunista Chinês por disciplina interna intensifica as restrições impostas a organizações religiosas que operam sem submissão estatal
O encerramento do quinto plenário do 20º Comitê Central chinês, em 29 de outubro de 2026, marcou um novo estágio na consolidação do controle político no país. Conforme relatado pela International Christian Concern (ICC), o Partido Comunista Chinês (PCC) adotou resoluções focadas na autogovernança rigorosa, o que reflete diretamente no cerco às instituições religiosas que buscam manter sua independência.
A política de “Sinicização”, promovida sob a liderança de Xi Jinping, exige que qualquer grupo religioso alinhe suas doutrinas, liderança e atividades às prioridades do Estado. Para o governo chinês, a fé deve ser compatível com o desenvolvimento nacional, resultando em vigilância constante e subordinação de organizações protestantes, católicas, muçulmanas, budistas e taoístas.
O impacto nas comunidades de fé
Para as igrejas independentes, conhecidas como igrejas domésticas no meio protestante, a pressão é severa. Enquanto instituições oficiais operam sob a supervisão de associações estatais, grupos que rejeitam essa tutela enfrentam riscos constantes de interrupção de cultos, fechamento de templos e detenção de líderes religiosos.
A situação também atinge outras denominações:
- Católicos: Disputas sobre a nomeação de bispos persistem, com o governo exercendo influência mesmo após acordos com a Santa Sé.
- Muçulmanos: Na região de Xinjiang, a população Uyghur enfrenta restrições severas, vigilância estatal e políticas coercitivas.
- Budistas tibetanos: O Estado interfere diretamente na seleção de figuras religiosas proeminentes.
Segundo a ICC, a insistência do partido em centralizar o poder demonstra que não há espaço para organizações cuja autoridade final resida fora do sistema político vigente. A exigência de lealdade absoluta ao PCC cria um conflito direto para fiéis que priorizam convicções espirituais sobre as diretrizes estatais. Organizações internacionais seguem pressionando Pequim pelo fim da perseguição e pela garantia da liberdade de organização religiosa no território chinês.
