Paraguai: Projeto de Lei Institui o ‘Dia Nacional da Igreja Evangélica’

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Senado paraguaio impulsiona projeto para criar o ‘Dia Nacional da Igreja Evangélica’ em 31 de outubro

Uma iniciativa do oficialismo colorado busca estabelecer o dia 31 de outubro como o “Dia Nacional da Igreja Evangélica” em todo o Paraguai. O projeto de lei, apresentado pelos senadores Gustavo Leite, Orlando Penner, Lizarella Valiente e Blanca Ovelar, visa oficialmente reconhecer a importância histórica e espiritual das comunidades evangélicas no país. A data escolhida remete à Reforma Protestante iniciada em 1517 com a publicação das 95 teses por Martinho Lutero, um marco já celebrado oficialmente em outras nações sul-americanas como Chile e Argentina.

A proposta legislativa também destaca o papel das igrejas menonitas na região do Chaco paraguaio e homenageia figuras históricas como o missionário anglicano Wilfred Barbrooke Grubb, que atuou junto a povos originários a partir de 1889. Essa aproximação do governo com setores evangélicos ocorre em um momento de tensões diplomáticas com a Igreja Católica.

Recentemente, o presidente Santiago Peña se reuniu com a cúpula da Conferência Episcopal Paraguaia. Na ocasião, bispos apresentaram reclamações sobre falhas em políticas sociais, precariedade na saúde, crise em comunidades indígenas e a persistência da corrupção. O Executivo reconheceu as deficiências e se comprometeu a manter o diálogo com a Igreja Católica.

Este contraste evidencia uma estratégia governamental de gerenciar relações com diferentes grupos religiosos simultaneamente. Enquanto concede espaço ao setor evangélico, busca amenizar o descontentamento do clero católico, que ainda exerce influência política considerável.

O senador Gustavo Leite, que retornou recentemente ao Congresso após passagem pela embaixada nos Estados Unidos, antes propôs um corte de gastos de US$ 400 milhões para realocar fundos à Saúde. Uma versão reduzida para US$ 80 milhões foi posteriormente acordada para adiamento de debate com o Executivo. Paralelamente, Leite agora apoia o projeto do “Dia Nacional da Igreja Evangélica”, alinhando-se com o setor conservador do partido e fortalecendo laços com eleitores religiosos que apoiaram o governo desde antes das eleições.

Analistas interpretam o impulso à nova data como um movimento político do oficialismo com múltiplos objetivos. Entre eles, a reafirmação de alianças com bases evangélicas e conservadoras que buscam maior visibilidade institucional, a compensação das tensões crescentes com a Igreja Católica, o reordenamento de prioridades legislativas em detrimento de debates sobre cortes de gastos, e o fortalecimento de uma narrativa ideológica alinhada a correntes conservadoras regionais e redes transnacionais.

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