Padre e fiéis mortos em ataque premeditado contra paróquia no Sudão geram comoção
A Paróquia Católica de Upper Kauda, localizada nas Montanhas de Nuba, no Sudão, vive um luto profundo após um ataque violento ocorrido em 19 de junho. O incidente resultou na morte do Pastor Youhana Al-Amin e de outros membros da comunidade, além de saques e destruição de propriedades. A ação teria sido precedida por um ultimato de 48 horas emitido por Izzat Kuku, líder de forças ligadas ao Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-N).
Segundo o Chefe Kuku Aldkhor Tangila, o ataque foi uma ação orquestrada pelo Movimento Islâmico. “Tudo o que ouvimos sobre eles foi executado em nossa aldeia. Crianças foram mortas. Mulheres foram estupradas. Pastores foram assassinados. Nossas casas e propriedades foram saqueadas. Esta não foi uma violência aleatória; foi uma demonstração deliberada de suas intenções contra nosso povo”, declarou.
O ultimato dado ao Pastor Al-Amin e seus seguidores expirou às 13h do dia do ataque, momento em que as forças do SPLM-N, sob o comando de Izzat Kuku, avançaram sobre a paróquia. Dentro do complexo, além do pároco, o guarda de segurança Youna Markos e o estoquista John Adam foram agredidos e deixados gravemente feridos. Dois funcionários do Departamento de Educação também perderam a vida durante a invasão.
O assalto se estendeu para áreas vizinhas, incluindo Jabadi e Joper, cujas residências e comércios foram incendiados e saqueados. Famílias foram forçadas a fugir com o que podiam, espalhando o medo pela região. “Como Igreja e como Conselho de Igrejas, condenamos veementemente estas atrocidades cometidas sob o olhar do SPLM-N”, disse o Pastor Yacoub. “Eles mataram nossos filhos, nossa juventude e nossos pastores. Pedimos ao governo que examine se estas ações estão alinhadas com o manifesto que afirmam defender. Lutamos firmemente contra tal movimento e o sofrimento que ele trouxe ao nosso povo.”
Testemunhas e sobreviventes descreveram uma comunidade devastada, lidando com as perdas e tentando manter a fé em meio às ruínas. Benjamin Osman Arid, membro da igreja, relatou o desespero. “O que aconteceu é realmente de partir o coração. O ataque foi disfarçado de punição para oito comandantes que supostamente desobedeceram o movimento, mas isso jamais justificará o massacre de nossas crianças. Vimos alguns de nossos pequeninos queimarem dentro de suas casas. Eu mesmo perdi meus filhos. Não sei nem se eles ainda estão vivos. Agora, estamos escondidos em cavernas, vivendo com medo constante de que os atacantes retornem.”
A igreja, que antes servia como um centro de adoração, educação e cuidado humanitário, agora é um símbolo da violência que assola a região em conflito.
