Especialistas da ONU expressam profunda preocupação com violações de direitos humanos de mulheres e meninas na Nigéria, incluindo violência sexual e conversão forçada.
Relatórios críveis indicam um aumento alarmante de violações graves de direitos humanos na Nigéria, afetando especialmente mulheres e meninas. As denúncias, divulgadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em 8 de junho, incluem assassinatos, sequestros, violência sexual, casamentos forçados e desaparecimentos. As comunidades cristãs e outras minorias religiosas nas regiões norte e central do país são particularmente visadas.
Grupos extremistas como Boko Haram e a Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) continuam ativos em partes do norte nigeriano. A violência também está associada às dinâmicas de conflito entre agricultores e pastores, contribuindo para a insegurança generalizada no país. Especialistas da ONU descreveram padrões preocupantes de abuso, como raptos em igrejas e escolas, cativeiros prolongados com violência sexual, e conversões e casamentos religiosos forçados, com muitas vítimas sendo menores de idade.
Um caso documentado relata o sequestro de uma menina de 13 anos no estado de Bauchi, que teria sido submetida a casamento forçado e tentativas de conversão. Outra jovem, de 16 anos, teria sofrido ferimentos ao resistir a coerções para casamento, supostamente ligadas a atores armados em sua comunidade. Mulheres e meninas deslocadas em campos de pessoas desabrigadas (IDPs) enfrentam riscos elevados, com relatos de exploração e coerção em troca de itens básicos como alimentos e abrigo.
A situação de Leah Sharibu, sequestrada em 2018 e que se recusou a renunciar à sua fé cristã, permanece como um símbolo dos sequestros escolares não resolvidos. O caso de Deborah Emmanuel, estudante morta em 2022 após acusações de blasfêmia, também foi referenciado, destacando preocupações sobre violência de multidões e impunidade em casos sensíveis religiosamente.
Os especialistas da ONU enfatizaram que esses abusos podem configurar violações do direito internacional dos direitos humanos, incluindo o direito à vida, liberdade, segurança, liberdade religiosa e proteção contra tortura e tráfico. As autoridades nigerianas foram instadas a reforçar a proteção civil, garantir a libertação de pessoas sequestradas e assegurar a responsabilização através de investigações e processos eficazes.
A insegurança generalizada nas regiões norte e central da Nigéria é exacerbada por tensões entre agricultores e pastores e pela presença de múltiplos grupos armados. Vozes de defesa, citadas pela International Christian Concern, apontam que ataques no centro do país continuam a devastar comunidades agrícolas, com relatos frequentes de invasões de vilarejos, ataques a igrejas e deslocamentos em massa em estados como Planalto, Benue, Kaduna e Nasarawa. Há um argumento de que a escala e os padrões de violência em comunidades rurais cristãs são sub-representados em resumos internacionais do conflito.
A ONU concluiu com um apelo por medidas urgentes para proteger mulheres e meninas, expandir serviços psicossociais e de reabilitação para sobreviventes, e garantir investigações independentes sobre todas as alegações de violações graves. A organização alertou que a persistência da insegurança e da impunidade pode agravar o sofrimento civil, especialmente em comunidades rurais e afetadas por deslocamentos no norte e centro da Nigéria.
