A glória prometida nas escrituras aponta para a restauração do propósito humano como agentes de Deus no mundo em vez de uma fuga para o céu
O renomado estudioso do Novo Testamento, N.T. Wright, apresentou uma nova perspectiva sobre o conceito bíblico de glória durante a conferência “The Fresh Challenge of Romans”, realizada na Park Cities Baptist Church. Segundo informações publicadas pela Christianity Daily, o teólogo argumenta que o termo não deve ser interpretado primordialmente como o ato de ir para o céu após a morte.
Para Wright, a esperança da glória descrita em passagens como Romanos 5 relaciona-se diretamente com a vocação humana de atuar como portadores da imagem de Deus em uma criação renovada. O especialista enfatiza que o destino humano, conforme estabelecido no Salmo 8, é exercer domínio sobre a criação, sendo feitos “um pouco menor que os seres celestiais”.
O chamado para reinar na vida
Ao abordar o conceito de vocação, o teólogo ressaltou que a glória foi perdida por meio da idolatria, mas restaurada em Cristo. Durante a exposição, Wright citou Santo Irineu de Lyon, que definia a glória de Deus como o “ser humano plenamente vivo”. Ele reforçou esse entendimento com uma reflexão sobre a natureza humana.
“Let’s be quite clear: glory does not mean going to Heaven. It means becoming fully human, to share God’s redemptive rule.”
Wright explicou que o texto bíblico sugere que ser humano é o meio pelo qual Deus deseja ser refletido na ordem criada. De acordo com o estudioso, Jesus e seus seguidores compartilham esse status de humanidade autêntica, uma verdade que ele considera frequentemente ignorada pelos fiéis contemporâneos.
A promessa de retorno de Yahweh
A discussão também incluiu referências a Isaías 40:5 e ao conceito de que a glória de Yahweh seria revelada a toda a carne. O teólogo sublinhou que a esperança da glória no Antigo Testamento aponta para o retorno do Deus de Israel ao seu povo, assumindo seu trono e restaurando a criação.
A conferência, organizada em parceria com a N.T. Wright Online/Admirato, serviu como um espaço para desmistificar interpretações que reduzem o propósito cristão a um escape do mundo físico. O foco, segundo o autor, permanece na responsabilidade dada à humanidade de tornar este mundo um lugar onde a vontade de Deus floresce.
