Ataque em Kaduna deixa nove cristãos mortos e 11 feridos por supostos extremistas muçulmanos no norte da Nigéria
Nove cristãos foram mortos e outros 11 ficaram feridos em um ataque ocorrido na noite de terça-feira (16) no estado de Kaduna, no norte da Nigéria. Homens armados, supostamente identificados como pastores fulanis, invadiram a comunidade de Angwa Magaji, localizada na ala de Kamaru, no condado de Kauru, segundo relatos de moradores locais.
Cristãos na Nigéria têm sido alvo de ataques que líderes religiosos afirmam estar ligados à disputa por terras e à expansão da influência islâmica. A desertificação na região tem intensificado as disputas por território, levando milícias extremistas fulanis a atacar comunidades agrícolas no centro-norte do país, onde a população cristã é mais numerosa. Esses ataques já causaram centenas de mortes, em sua maioria de cristãos.
Grupos como Boko Haram e o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) também atuam em estados do norte, onde a presença do governo é limitada. Nessas áreas, cristãos enfrentam violência sexual, assassinatos em bloqueios de estradas e sequestros para resgate, práticas que aumentaram significativamente nos últimos anos.
Um relatório de 2020 do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional de Crença do Reino Unido (APPG) destacou que alguns clãs fulanis, embora a maioria não defenda visões extremistas, aderiram à ideologia islâmica radical. O documento aponta que esses grupos adotam estratégias comparáveis às do Boko Haram e ISWAP, com intenção clara de atacar cristãos e símbolos de identidade cristã.
A Nigéria registrou o maior número de cristãos mortos por causa da fé no período de outubro de 2024 a setembro de 2025, segundo a Lista Mundial da Perseguição de 2026 da Portas Abertas. Do total mundial de 4.849 cristãos assassinados, 3.490 eram nigerianos, representando 72%. O país ocupa a 7ª posição entre os locais mais difíceis para ser cristão. A violência também se estende a estados do sul, e o surgimento do grupo terrorista Lakurawa no noroeste, alinhado a uma agenda islâmica radical e com vínculos com a JNIM, ligada à Al-Qaeda, agrava o cenário.
