Oficiais nigerianos são pressionados a lidar com o calvário ‘aterrorizante’ de mulheres e meninas sequestradas por extremistas religiosos
Aos 22 anos, Leah Sharibu completa oito anos em cativeiro após ser sequestrada em fevereiro de 2018 junto com outras 109 estudantes de uma escola na Nigéria. Ela é a única sobrevivente entre os sequestrados pelo Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). Leah recusou a exigência de renunciar à sua fé cristã para ser libertada, enquanto outras meninas foram libertadas ou morreram em cativeiro.
Ahead of the U.N.’s International Day for the Elimination of Sexual Violence in Conflict, a campanha global busca dar voz às vítimas de perseguição religiosa na Nigéria. A iniciativa, chamada Voices for Justice (V4J), envolve organizações de diferentes países em defesa, conscientização e oração.
Em Washington, D.C., um protesto está programado em frente à Embaixada da Nigéria, organizado por grupos como Jubilee Campaign e Christian Freedom International. O evento contará com a participação de Gloria Puldu, CEO da The Leah Foundation, e Mariam Ibraheem, que enfrentou pena de morte no Sudão por apostasia.
Os pais de Leah, Nathan e Rebecca Sharibu, expressaram em comunicado que a filha manteve sua fé firme, mesmo diante de dificuldades inimagináveis. Eles descreveram o sofrimento em cativeiro, incluindo casamentos forçados, traumas repetidos, partos e a constante ameaça de violência sexual. “A cada dia sem Leah é uma ferida que se aprofunda”, declararam.
Milhares de mulheres e meninas sequestradas anualmente na Nigéria
Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, 771 mulheres e 68 meninas cristãs foram sequestradas na Nigéria, segundo o Observatory for Religious Freedom in Africa (ORFA). O número real pode ser maior, pois muitas abduções não são reportadas. Essas ações frequentemente resultam em violência sexual e casamentos forçados.
A campanha V4J incentiva que cidadãos de outros países comuniquem às autoridades consulares nigerianas a gravidade do sequestro de Leah, que simboliza o sofrimento de muitas mulheres e meninas. O apelo é para que o governo cumpra sua obrigação constitucional de proteger a vida de seus cidadãos.
As exigências incluem intensificar esforços para a libertação segura de Leah e outras vítimas, oferecer suporte médico e psicossocial, investigar abduções e violência sexual, processar os perpetradores e fortalecer a proteção em áreas de conflito.
Alarme da ONU sobre a deterioração da segurança para mulheres e meninas
Especialistas da ONU expressaram alarme em relação aos riscos elevados que mulheres e meninas enfrentam na Nigéria. A deterioração da segurança no norte e centro do país cria um ambiente propício para ataques por grupos extremistas como Boko Haram e ISWAP, com relatos persistentes de impunidade e falhas institucionais.
“Os testemunhos que recebemos pintam um quadro aterrorizante de medo, trauma, coerção e abandono”, afirmaram os especialistas em comunicação aos oficiais nigerianos. “Vítimas e sobreviventes não devem ser deixados sem proteção, justiça e reparações.”
A violência contra cristãos e outras minorias religiosas é recorrente, especialmente em 12 estados do norte que aplicam interpretações locais da Sharia (lei islâmica) e leis de blasfêmia, com acesso limitado à justiça.
Especialistas apontam para riscos específicos de discriminação e violência contra mulheres e meninas cristãs, incluindo casos graves de violência sexual, sequestros, desaparecimentos forçados, conversão e casamento infantil. Aqueles que resistem frequentemente são ameaçados, punidos ou mortos.
Casos documentados incluem o sequestro e agressão sexual de mulheres cristãs, o desaparecimento de meninas de uma igreja em Borno, a conversão forçada e o casamento infantil de uma menina de 13 anos em Bauchi, e uma jovem cristã que teve a mão cortada por recusar uma proposta de casamento forçado.
Esses crimes ocorrem em um contexto de violência e perseguição que afeta desproporcionalmente comunidades cristãs, com assassinatos, ataques a igrejas e aldeias, deslocamento em massa e insegurança em campos de refugiados.
Em novembro de 2024, militantes do ISWAP sequestraram duas mulheres cristãs no estado de Borno. Uma delas deu à luz em cativeiro, conforme relatado pelo observador Truth Nigeria. Comfort Sunday, 25, foi sequestrada grávida e casada menos de um ano depois.
Sunday e Rose Adamu, 20, escaparam do cativeiro em maio de 2025, após três tentativas, sendo que nas duas anteriores sofreram torturas severas. O exército nigeriano alegou ter resgatado as mulheres, mas o relato das sobreviventes diverge, indicando que a fuga foi obra delas com auxílio divino, não de soldados.
