Tribunal federal em Abuja condena 386 indivíduos por terrorismo, em um dos maiores julgamentos coletivos recentes
Um tribunal federal na capital nigeriana, Abuja, proferiu condenações contra 386 pessoas acusadas de terrorismo. Esta decisão representa uma das maiores condenações em massa registradas nos últimos tempos. Os indivíduos sentenciados foram associados à província do Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) ou ao Boko Haram, um grupo terrorista com origem no norte do país. A fonte original é o site persecution.org, com data de 16 de abril de 2026.
As condenações ocorrem em um momento de pressão sobre o governo nigeriano por parte dos Estados Unidos, que exigem medidas mais eficazes para combater o terrorismo interno e proteger comunidades vulneráveis, especialmente cristãs, afetadas pela violência. As sentenças para os condenados variam de cinco anos a prisão perpétua. Inicialmente, 508 pessoas foram acusadas. Destas, duas foram absolvidas, oito foram liberadas e 112 casos tiveram julgamento adiado, conforme informações oficiais citadas pela BBC.
A Nigéria enfrenta violência interna há anos, frequentemente atribuída a grupos terroristas e milícias de pastores Fulani. Relatos indicam que dezenas de milhares de pessoas foram mortas ou sequestradas, e centenas de milhares foram deslocadas internamente. O Boko Haram, fundado em 2002 como uma escola islâmica, desenvolveu uma agenda de radicalismo islâmico e iniciou uma campanha de violência em 2009. Apesar de divisões e mudanças de liderança, o grupo mantém suas tendências violentas e uma lista de alvos prioritários, com cristãos no topo, seguidos pelo governo e muçulmanos não afiliados.
Apesar da negação oficial do governo nigeriano sobre a existência de violência religiosa, analistas e organizações da sociedade civil têm documentado ataques direcionados a locais de culto, comunidades e líderes religiosos cristãos nas regiões central e norte. Muitos muçulmanos também foram vítimas desses grupos. O extremismo religioso tem resultado em violência particularmente severa contra cristãos. Em 2025, os Estados Unidos incluíram a Nigéria novamente na lista de Países de Preocupação Particular (CPC) devido a violações graves da liberdade religiosa.
A radicalização de comunidades locais também contribui para o alto número de mortes. Conflitos por terra ou recursos hídricos podem escalar para uma dimensão religiosa, resultando em ataques contra religiosos e comunidades. Um analista de militância local apontou que o ISWAP financia milícias Fulani em ataques contra fazendeiros cristãos, vendo isso como uma oportunidade para atingir cristãos, considerados um obstáculo à implantação de um Estado Islâmico na África Ocidental.
A resposta governamental à violência e a proteção de comunidades vulneráveis, como as cristãs no sul de Kaduna, têm sido consideradas ineficazes por sucessivos governos. A questão religiosa, embora não seja o único fator – a falta de oportunidades econômicas também é relevante –, é um componente central que precisa ser abordado para a busca pela paz no país.
