Missionária sul-coreana é presa na Rússia sob acusação de infringir leis de imigração após 30 anos de trabalho
Uma missionária sul-coreana de 69 anos, Park Tae-Yeon, foi detida em 15 de janeiro na Rússia, pouco antes de retornar à Coreia do Sul para se aposentar. Park, que atuou pela Child Evangelism Fellowship (CEF), é acusada de infringir leis de imigração e enfrenta a possibilidade de uma pena de até 17 anos de prisão. A informação foi divulgada pelo Voice of the Martyrs Koreia (VOA).
Segundo o VOA, uma autoridade russa aplicou uma multa à missionária por exceder o tempo permitido de seu visto, apesar do atraso ter sido justificado pela própria prisão. Atualmente, Park Tae-Yeon está em um centro de detenção para estrangeiros na cidade de Khabarovsk. O julgamento da missionária teve início em agosto, com a expectativa de um veredito até 24 de setembro.
A acusação de imigração é vista como uma forma de encobrir o real motivo da detenção de Park. Diversos relatos na mídia russa afiliada ao Estado indicam que as autoridades estão processando publicamente um caso mais amplo contra ela.
Relatos da mídia russa alegam que missionários coreanos teriam feito lavagem cerebral em crianças, obrigando-as a copiar a Bíblia por longos períodos. Um funcionário de Khabarovsk afirmou que “ideias alheias aos valores tradicionais russos foram impostas às crianças sob o pretexto de educação e treinamento”, com o objetivo final de levá-las para a Coreia do Sul.
A Dra. Hyun Sook Foley, representante do VOA Koreia, considerou as acusações “ridículas”. Ela descreveu Park Tae-Yeon como alguém com “amor sincero pela Rússia e seu povo” desde sua chegada em 1993, sem antecedentes criminais e dedicada ao ministério por 33 anos, afirmando que se considera casada com o país.
Park Tae-yeon é uma pessoa transparente e boa, como uma criança, sem ideologia política ou propósito impuro.
O pastor Eric Foley, um dos fundadores do VOA Koreia, refutou as alegações de lavagem cerebral por parte da Child Evangelism Fellowship. Ele ressaltou que a organização opera globalmente há mais de 75 anos, com métodos abertos de evangelização divulgados em seus sites, livros e programas de treinamento.
“Eles têm extensos programas de treinamento para garantir que as crianças nunca sejam pressionadas ou coagidas, e garantem que os desejos dos pais ou responsáveis das crianças sejam sempre seguidos”, explicou Eric Foley. Ele concluiu que a CEF sempre defendeu que “as crianças têm o direito de ouvir o Evangelho se assim o desejarem”, e que essa liberdade religiosa está sendo gradualmente restringida na Rússia, mascarada por acusações contra cristãos.
