A vulnerabilidade extrema dos cristãos rohingya diante da apatridia e do isolamento em países do sul da Ásia
A crise humanitária dos rohingya, grupo étnico forçado a deixar Myanmar, reserva contornos ainda mais graves para a sua minoria cristã. Com um contingente total estimado em cerca de 1.500 pessoas, estes indivíduos enfrentam, além do deslocamento forçado, a hostilidade direta por terem se convertido, sofrendo abusos tanto em campos de refugiados quanto em nações vizinhas, conforme reportado pela International Christian Concern (ICC).
A maioria absoluta deste grupo originou-se do estado de Rakhine, em Myanmar, nação que nega cidadania a estes povos e os rotula como migrantes ilegais. Desde as operações militares de 2017, mais de 740 mil rohingya buscaram refúgio em Bangladesh, enquanto outros 550 mil permanecem em território birmanês sob constantes conflitos e instabilidade política.
Desafios e ameaças na rotina de refugiados
Para os cristãos desta minoria, a vida nos campos de refugiados de Bangladesh é marcada por episódios de violência, acusações falsas e tentativas de conversão forçada ao islamismo. Em um centro de trânsito sob guarda policial, alguns desses fiéis buscaram proteção, embora a estrutura enfrente risco iminente de fechamento.
“Apenas algumas poucas pessoas permanecem em Myanmar, onde a vida é extremamente tênue devido aos riscos impostos tanto pelo exército quanto pelos grupos de resistência armada”, aponta Sadeq Shalom, um dos membros da comunidade refugiado na Índia.
Na Índia, onde cerca de 150 cristãos rohingya buscam abrigo, o cenário não oferece segurança. Autoridades locais intensificaram a fiscalização e, em maio de 2025, realizaram a deportação de 40 pessoas, incluindo 15 cristãos, abandonando-os em águas internacionais. Relatos indicam que até mesmo cartões de refugiados emitidos pela ONU são ineficazes para impedir detenções ou expulsões.
O isolamento social e a falta de perspectivas
A sobrevivência deste grupo ocorre à margem da sociedade indiana, sem acesso a empregos formais ou educação para as crianças. O temor de represálias impede inclusive a interação com cristãos locais.
“É arriscado para eles e para nós manter qualquer contato. As minorias na Índia já enfrentam seus próprios problemas e, se for descoberto qualquer vínculo, as consequências podem ser severas”, explica Shalom sobre a estratégia de distanciamento para evitar danos a terceiros.
Sem cidadania em qualquer parte do mundo e sendo alvos de preconceito também entre outros grupos rohingya, a comunidade cristã mantém a esperança de auxílio por parte de organizações humanitárias para alcançar um lugar onde possam viver com proteção legal. A realidade compartilhada é de medo e trauma psicológico constante em todos os países de acolhida temporária.
