Israel nomeia primeiro enviado especial para o Mundo Cristão após meses de crises

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Israel nomeia primeiro enviado especial para o Mundo Cristão após meses de crises

Em uma iniciativa sem precedentes, Israel anunciou na última quinta-feira a nomeação de seu primeiro enviado especial para o Mundo Cristão. A decisão surge após um período de tensões nas relações com diversas igrejas cristãs globalmente, decorrentes de uma série de incidentes e escândalos ocorridos nos últimos meses.

A medida visa fortalecer e recontextualizar os laços diplomáticos com comunidades cristãs em todo o mundo. A nomeação de um diplomata cristão e com vasta experiência busca endereçar as recentes crises e restaurar a confiança.

O novo enviado e os desafios recentes

O diplomata escolhido para esta função é George Deek, um profissional com 18 anos de experiência e que recentemente serviu como Embaixador de Israel no Azerbaijão. Deek possui a distinção de ter sido o primeiro embaixador cristão na história de Israel. Sua trajetória pessoal e profissional o conecta diretamente às comunidades cristãs.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, Deek cresceu em Jaffa como um árabe-israelense cristão. Seu pai, Youssef Deek, teve uma longa atuação como Presidente da comunidade cristã ortodoxa em Jaffa e em Israel. A herança de Deek inclui a fé ortodoxa oriental e também ascendência armênia, representando duas das maiores denominações cristãs árabes no país.

Incidentes que antecederam a nomeação

A criação do cargo de enviado especial ocorre em um contexto marcado por eventos delicados. Entre os incidentes recentes que abalaram as relações com o mundo cristão, destacam-se:

  • A prisão de dois soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) que profanaram um crucifixo no sul do Líbano.
  • A controvérsia em torno do direito do Cardeal Católico Pierbattista Pizzaballa de rezar na Igreja do Santo Sepulcro durante o Domingo de Ramos.

Esses acontecimentos ressaltam a sensibilidade das relações entre Israel e as diversas vertentes do cristianismo, tornando a atuação de um enviado especial ainda mais crucial.

A importância da nova posição

O Ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, enfatizou a relevância da iniciativa. “O Estado de Israel atribui grande importância às suas relações com o Mundo Cristão e com seus amigos cristãos ao redor do mundo”, declarou Sa’ar. Ele expressou confiança na capacidade de Deek para fortalecer esses laços, afirmando que o diplomata “contribuirá enormemente para a amizade e o fortalecimento dos laços entre o Estado de Israel e o Mundo Cristão”.

George Deek manifestou sua honra em assumir o novo papel. “Aceito esta responsabilidade com gratidão, humildade e um profundo senso de dever. Hoje, sinto que estou fechando um ciclo”, escreveu Deek em sua conta na rede social X. Ele acrescentou: “Das tardes de domingo da minha infância sentado ao lado do meu pai na igreja a este novo papel diplomático, carrego comigo a fé e os valores que moldaram minha vida e minha comunidade. Assumo esta missão com um profundo senso de responsabilidade: servir, construir pontes e aprofundar os laços entre Israel e as comunidades cristãs em todo o mundo.”

A criação de um escritório para um enviado especial ao Mundo Cristão tem sido discutida por políticos israelenses há anos.

Reações e perspectivas futuras

A nomeação de George Deek foi recebida com elogios por diversas personalidades e instituições. A embaixada italiana em Israel parabenizou Deek, descrevendo-o como “um amigo da Itália que sempre trabalhou com dedicação absoluta para avançar nas relações bilaterais”. A expectativa é que ele seja “instrumental no fomento da relação entre Israel e o Mundo Cristão”.

O Reverendo Johnnie Moore também celebrou a decisão, agradecendo a Israel pela nomeação de Deek, a quem descreveu como “um cristão de Jaffa, cuja família vive na cidade há gerações, um querido amigo e um líder incrível”.

Mariam Wahba, analista egípcia cristã da Foundation for Defense of Democracies (FDD), considera Deek “o homem certo para o trabalho”, mas ressalta a necessidade de uma abordagem mais ampla. “O que é mais importante para o relacionamento de Israel com o Mundo Cristão (seja lá o que isso signifique) é garantir que alguém esteja pensando nos cristãos em todos os níveis do governo, e não apenas em um escritório isolado de ‘enviado especial'”, ponderou Wahba, sugerindo que esta pode ser a intenção de Deek.

A posição de George Deek também ecoa discussões anteriores. Há dois anos, Joel Rosenberg, editor-chefe da AIN, pressionava para que o primeiro-ministro Netanyahu cumprisse sua promessa de nomear um embaixador para o Mundo Cristão, observando na época que Israel não possuía um emissário de alto escalão dedicado a esse portfólio global.

De acordo com dados do Escritório Central de Estatísticas de Israel de dezembro do ano passado, os cristãos representam cerca de 1,9% da população do país, totalizando aproximadamente 184.200 pessoas. A nomeação de George Deek marca um passo significativo na gestão das relações diplomáticas de Israel com a comunidade cristã global.

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