Jovem cristão baleado em protestos por liberdade no Irã encontra refúgio e esperança na Armênia após atentado
Um jovem cristão iraniano, ferido durante protestos contra o regime, relata a tentativa de assassinato e as sequelas de quatro cirurgias no braço. Ele se refugia na Armênia, onde, junto a outros fiéis iranianos, almeja o fim do regime islâmico para retornar ao seu país e levar uma mensagem de fé e transformação.
A intervenção brutal das forças de segurança iranianas deixou marcas profundas em Abtin. “Houve uma tentativa de assassinato contra minha vida. Eu estava nas ruas com outras pessoas protestando contra o regime”, recorda. Milhares de cidadãos haviam tomado as ruas em manifestações contra o aumento dos preços da gasolina e a corrupção generalizada, clamando por um fim à opressão e à desigualdade.
“Estávamos protestando contra a opressão e a discriminação que existiam na sociedade por um punhado de oligarcas que, por décadas, levaram toda a riqueza do país para suas mãos e não fizeram nada por nós. Eles não se importam com a dor e o sofrimento das pessoas”, desabafa Abtin.
O ataque com uma espingarda resultou em ferimentos graves no braço de Abtin. “Este é o resultado após 4 cirurgias, fica assim”, demonstra ele, exibindo as cicatrizes. Para Abtin, as manifestações iam além das questões econômicas. “Estamos lutando por liberdade, por uma vida normal, por prosperidade, por segurança. As coisas mais óbvias que todo ser humano precisa na vida.”
Ao fugir para a Armênia, encontrou refúgio em uma pequena igreja iraniana. “Eu estava em um estado mental ruim quando cheguei à Armênia, e o único lugar que podia me dar paz naquele momento era esta igreja”, conta.
O Pastor Omid, da Naioth Church, descreve o local como mais do que um centro de adoração, mas um espaço de preparação. “O povo do Irã precisa de salvação ainda mais do que precisa de liberdades civis e direitos em nosso país. Eles precisam da salvação que vem através do conhecimento de Jesus Cristo. As liberdades e confortos deste mundo são temporários e limitados, mas Ele é eterno.”
Muitos cristãos iranianos exilados nutrem a esperança de retornar ao Irã com a eventual queda do regime. “É por isso que estamos preparando essas pessoas, tanto as que estão aqui na escola bíblica quanto as que temos no Irã nas igrejas domésticas, para que, quando chegar o dia em que o Irã for libertado, elas possam retornar e pregar o evangelho”, afirma o Pastor Omid.
Em Yerevan, cristãos iranianos homenagearam recentemente sete soldados americanos mortos na Operação Epic Fury e rezaram pelos feridos na guerra. Alguns expressaram gratidão a americanos e israelenses por se posicionarem contra o sistema governante do Irã e manifestaram otimismo em relação à futura liberdade.
A comunidade armênia também se prepara para apoiar essa visão. Há anos, cristãos armênios se estabeleceram próximos à fronteira com o Irã, considerando a área estratégica para a disseminação da fé. Eles acreditam que este é o momento esperado para a ação do Espírito de Jesus Cristo na nação iraniana.
Dr. Jacob Pursley, que orienta cristãos armênios atuando na fronteira, destaca o desenvolvimento de uma igreja missionária na região nos últimos seis anos. “Eles vão para lá para levar o amor de Jesus, em vez de apenas fazer compras. Eles conseguem estabelecer relacionamentos com pessoas no Irã e, como armênios, são aceitos ali, com grande abertura, algo que um americano não conseguiria fazer”, explica.
Para Abtin, o futuro é visto com determinação pessoal. “Fico feliz que isso tenha acontecido comigo, porque acredito que valeu a pena. Fez parte da luta pelo meu povo e pela liberdade dele, e nada poderia ser mais importante do que isso”, conclui.
