Novo memorando entre Estados Unidos e Irã mexe com mercado de petróleo e bolsa, mas gera desconfiança na região
A assinatura de um Memorando de Entendimento (M.O.U.) entre os Estados Unidos e o Irã marcou o início de uma nova dinâmica no Oriente Médio, com reflexos imediatos nos mercados globais. O preço do barril de petróleo registrou queda, chegando perto de US$ 80, enquanto o índice Dow Jones Industrial atingiu um novo recorde, aproximando-se de 52 mil pontos. A informação foi divulgada por fontes norte-americanas.
O vice-presidente JD Vance destacou os efeitos do acordo, afirmando que ele reabre o Estreito de Ormuz, aumentando o fluxo de tráfego e contribuindo para a baixa nos preços do petróleo. Além disso, Vance ressaltou o compromisso de longo prazo para que o Irã não desenvolva armas nucleares.
“O que este acordo faz é dizer aos iranianos que vocês não têm acesso ao dinheiro para reconstruir esse programa nuclear. Mas, se vocês estiverem dispostos a desistir desse programa a longo prazo, se estiverem dispostos a aceitar o regime de inspeções e verificação que é necessário para nos dar a confiança de que vocês nunca terão uma arma nuclear, então queremos que vocês sejam um país próspero e vamos reconvidá-los para a comunidade das nações.”
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian considerou o M.O.U. uma fonte de orgulho, descrevendo-o como uma conquista significativa para o país e para toda a região, incluindo as forças de resistência. Os detalhes do acordo, segundo ele, serão apresentados em momento oportuno.
Apesar do otimismo declarado por autoridades americanas, o acordo gerou ceticismo em diversos setores. Estados do Golfo Pérsico expressaram desconfiança quanto às intenções do regime iraniano. Um artigo no Saudi State Daily apontou que a crise expôs a política agressiva do Irã para com seus vizinhos.
Do lado israelense, o M.O.U. foi classificado como uma “catástrofe” por alguns líderes. As preocupações incluem a não eliminação do programa nuclear iraniano, a falta de abordagem sobre mísseis balísticos e o financiamento de proxies na região. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reiterou seu compromisso em impedir o Irã de obter armas nucleares, declarando que isso é uma missão de vida.
“Com ou sem acordo, o Irã não terá armas nucleares. Nem hoje, nem amanhã. Enquanto eu for o primeiro-ministro de Israel, isso não acontecerá.”
Netanyahu também reafirmou o compromisso de Israel em se defender contra o Hezbollah no Líbano, mencionando a manutenção de uma zona de segurança e a necessidade de proteger os residentes do norte do país. Ele atribuiu o sucesso em manter essa postura firme à sua determinação e ao respeito de seus “amigos americanos” por essa persistência.
Relatos indicam que o M.O.U. será seguido por sessenta dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Caso o Irã cumpra as exigências, poderá ter acesso a bilhões de dólares em alívio de sanções.
Apesar das promessas de ajuda, muitos iranianos sentem-se manipulados, com a situação no país considerada pior do que antes dos protestos que levaram à repressão violenta pelo regime, com milhares de mortos e desaparecidos.
