Ex-vice-presidente indonésio é denunciado por declarações sobre conflitos religiosos e cristianismo
O ex-vice-presidente da Indonésia, Muhammad Jusuf Kalla, foi alvo de uma denúncia formal à Polícia Metropolitana de Jacarta em 12 de abril. A ação foi movida pelo Conselho Executivo Central do Movimento da Juventude Cristã Indonésia (DPP GAMKI) e outras organizações. A controvérsia se originou a partir de um vídeo de uma palestra de Jusuf Kalla na Mesquita da Universidade Gadjah Mada, em 5 de março.
O clipe, que rapidamente se tornou viral em plataformas como Facebook, TikTok e YouTube, mostra o ex-vice-presidente discorrendo sobre conflitos religiosos em Poso e Ambon, ocorridos entre 1998 e 2002. Em sua fala, Jusuf Kalla teria afirmado que tanto muçulmanos quanto cristãos acreditam na morte como martírio, o que dificultaria o fim desses conflitos.
“Por que a religião é tão facilmente usada como motivo para conflito, como em Poso e Ambon? Tanto muçulmanos quanto cristãos acreditam na morte, em matar pessoas ou em ser martirizado”, disse Jusuf Kalla. “Todos os cristãos também pensam da mesma forma: se eu matar um muçulmano, sou um mártir; se eu morrer, sou um mártir. No fim das contas, o conflito é difícil de acabar.”
Em resposta às declarações, o presidente da GAMKI, Sahat Martin Philip Sinurat, declarou que as falas de Jusuf Kalla geraram descontentamento público e são inconsistentes com os ensinamentos cristãos de amor. Sahat enfatizou que o cristianismo prega o amor ao próximo, inclusive aos inimigos, e não o assassinato de pessoas de outras fés.
Segundo Sahat, a disseminação das declarações de Jusuf Kalla nas redes sociais provocou desordem e hostilidade. Ele relatou comentários insultuosos e de cunho étnico-religioso. A denúncia visa permitir que as autoridades policiais controlem a situação e espera-se uma resposta do ex-vice-presidente, como um pedido de desculpas e um esclarecimento público.
