Gestão americana monitora de perto julgamento de pastor por pregação de João 3.16 em área restrita no Reino Unido
A administração do presidente Donald Trump tem informado que acompanha atentamente o desenrolar do processo judicial contra Clive Johnston, um pastor aposentado de 77 anos, na Irlanda do Norte. Johnston é acusado de infringir a legislação britânica sobre zonas de acesso seguro ao realizar um sermão ao ar livre, próximo a uma unidade de saúde que oferece serviços de interrupção de gravidez. O caso levanta questões sobre liberdade religiosa e de expressão, com os Estados Unidos expressando preocupação com restrições na Europa.
Clive Johnston, que reside em Strabane e já ocupou o posto de presidente da Associação de Igrejas Batistas da Irlanda, enfrenta duas acusações baseadas na Lei de Serviços de Aborto (Zonas de Acesso Seguro). O julgamento está em curso no tribunal de magistrados de Coleraine, com o segundo dia de audiências agendado para quarta-feira. Em caso de condenação, o pastor pode ter antecedentes criminais e ser multado em até £2.500, valor aproximado de US$ 3.300.
O incidente ocorreu em 7 de julho de 2024, em uma área gramada adjacente ao Hospital Causeway, em Coleraine, separada por uma via expressa. Cerca de doze pessoas participaram da atividade, que incluiu cânticos e a exibição de uma cruz. Durante o sermão, Johnston abordou o versículo bíblico João 3:16, que diz “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Os documentos do processo não detalham menção direta ao aborto durante a pregação, nem a exibição de cartazes relacionados ao tema. As acusações se concentram no fato de o pastor ter supostamente tentado influenciar indivíduos que buscavam os serviços hospitalares e na sua recusa em deixar o local após solicitação policial. O processo não envolve imputações de obstrução ou assédio.
A Lei de Serviços de Aborto (Zonas de Acesso Seguro), implementada em 2022, estabelece áreas de restrição com 100 a 150 metros de raio ao redor de clínicas e hospitais que realizam abortos na Irlanda do Norte. A legislação proíbe ações como influenciar, filmar, impedir o acesso ou causar alarme ou angústia a pessoas dentro dessas zonas.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que o governo americano segue o acompanhamento de casos relacionados às zonas de segurança no Reino Unido e outras situações que envolvam limitações à liberdade de expressão no continente europeu. O porta-voz declarou que a perseguição à oração silenciosa no Reino Unido representa uma violação flagrante do direito à liberdade de expressão e religiosa, além de um afastamento dos valores compartilhados entre EUA e Reino Unido.
Autoridades americanas também sinalizaram, em novembro de 2025, a análise da possibilidade de conceder asilo político a cidadãos britânicos processados por questões de liberdade de expressão. Na Conferência de Segurança de Munique de 2025, o vice-presidente JD Vance mencionou o caso de Adam Smith-Connor, condenado por violar uma zona de acesso seguro, e alertou para um retrocesso na liberdade de expressão na Grã-Bretanha e na Europa.
Em dezembro do mesmo ano, a Casa Branca manifestou preocupação de que restrições à liberdade de expressão na Europa estariam contribuindo para o que chamou de “apagamento da civilização”. Naquele período, Isabel Vaughan-Spruce tornou-se a primeira pessoa acusada sob a legislação de zonas de segurança, e autoridades dos EUA classificaram o caso como um “desvio indesejável” dos valores partilhados.
Simon Calvert, vice-diretor do Instituto Cristão, apontou que o caso levanta sérias questões sobre liberdade religiosa. Ele criticou o processamento do pastor Johnston por pregar João 3:16 perto de um hospital, descrevendo a ação como uma “nova e chocante tentativa de restringir a liberdade religiosa e a liberdade de expressão”. Calvert ressaltou que pregar as boas novas de Cristo difere de protestar contra o aborto, sugerindo que as autoridades estariam extrapolando os limites legais.
As normas sobre zonas de acesso seguro entraram em vigor em setembro de 2024 na Irlanda do Norte, seguindo legislações similares já estabelecidas na Inglaterra, País de Gales e Escócia. Casos recentes baseados nessas leis têm gerado questionamentos de organizações defensoras da liberdade religiosa e de expressão, especialmente em situações que envolvem práticas como oração silenciosa ou manifestações religiosas sem abordagem direta ao público.
