Ebola na R.D. Congo é o mais mortal em história recente e segue fora de controle; mais de 2.400 mortes confirmadas
A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta o surto de Ebola mais letal da história recente, cem dias após sua detecção inicial. A situação é agravada pela variante Bundibugyo, instabilidade social, movimentação de populações e uma resposta sanitária que se mostrou demorada. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 5.100 pessoas contraíram a doença e pelo menos 2.400 faleceram desde o início do ano, superando os números do surto de 2018.
A variante Bundibugyo tem se mostrado a de propagação mais rápida já registrada no país. A OMS reconhece que o surto “está longe de ser controlado” e que a doença “claramente superou” as equipes de saúde. A ausência de uma vacina aprovada para esta variante, uma vez que as existentes foram desenvolvidas para a cepa Zaire, limita os recursos disponíveis para os profissionais de saúde.
O vírus agora afeta seis províncias no leste e nordeste do país. O deslocamento causado por conflitos armados dificulta o rastreamento de contatos. Segundo o ACNUR, mais de 6,9 milhões de pessoas foram deslocadas pela violência na região, prejudicando a vigilância epidemiológica e o isolamento precoce de casos. A detecção tardia também foi um fator crítico, com sintomas sendo confundidos com malária ou tifo por meses, pois os testes disponíveis não identificavam a variante Bundibugyo.
Organizações evangélicas como Tearfund e Samaritan’s Purse têm atuado ativamente para conter o surto, especialmente em áreas com pouca infraestrutura e alta insegurança. Elas focam em educação comunitária, prevenção, suporte logístico e no combate ao medo e à estigmatização. Sua presença em regiões remotas e capacidade de mobilização social são cruciais para a prevenção, educação e cuidados primários onde a infraestrutura estatal é inadequada.
A Tearfund está promovendo campanhas de higiene, alerta para os primeiros sintomas e práticas de enterros seguros, em coordenação com igrejas locais e líderes comunitários. A organização relata que muitas famílias enfrentam a escolha entre ter água para beber ou para lavar as mãos, evidenciando a precariedade do saneamento básico na região.
A Samaritan’s Purse mobilizou uma equipe especializada em resposta a desastres, com especialistas em surtos de doenças, engenheiros e pessoal médico. A organização está reforçando hospitais missionários e estabelecendo um Centro de Tratamento Ebola em coordenação com o governo congolês, além de enviar equipamentos de proteção individual para trabalhadores de saúde locais. A entidade cristã americana afirma estar na linha de frente no combate ao Ebola há mais de uma década e continuará “fazendo tudo o que for possível para salvar vidas”.
A OMS anunciou o aumento da vigilância comunitária, maior capacidade de tratamento e progressos em ensaios clínicos de vacinas experimentais. Contudo, apenas 60% dos US$ 115 milhões necessários para conter a epidemia foram recebidos, em meio a cortes de financiamento internacional que reduziram drasticamente os recursos de saúde na RDC.
