Jovem cristã iraniana deportada dos EUA encontra refúgio e nova vida no Canadá após buscar asilo
Artemis Ghasemzadeh, uma iraniana de 27 anos convertida ao cristianismo, obteve refúgio no Canadá através do programa de reassentamento de refugiados do país. A decisão surge após sua deportação dos Estados Unidos, onde buscava asilo fugindo da perseguição religiosa em seu país de origem. Ela chegou à sua nova residência em Denman Island, perto de Vancouver, em julho.
A chegada de Ghasemzadeh ao Canadá foi viabilizada pelo patrocínio de um casal canadense. Sua jornada incluiu a entrada nos Estados Unidos em dezembro de 2024 junto com seu irmão, Shahin. Ambos foram detidos por cinco dias em San Diego e posteriormente separados. Ghasemzadeh foi deportada para o Panamá com outros 11 refugiados, enquanto Shahin foi levado para uma instalação de detenção em Houston.
No Panamá, Ghasemzadeh e outros requerentes de asilo cristãos permaneceram em um hotel na Cidade do Panamá por vários meses, aguardando a disponibilidade de um local permanente. O caso atraiu atenção de organizações como a International Christian Concern (ICC), agências governamentais como a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) e cristãos de todo o mundo, que acompanharam e defenderam a causa deles desde que The New York Times divulgou a história em fevereiro.
Relatos indicam que, tradicionalmente, refugiados que fogem da perseguição religiosa obtinham asilo em solo americano. Contudo, as leis de fronteira e de refugiados tornaram-se mais rigorosas sob a administração Trump. Ghasemzadeh buscou asilo no Canadá após ser aconselhada por advogados sobre a pouca probabilidade de retorno aos EUA.
Organizações de liberdade religiosa criticaram a deportação de Ghasemzadeh, alegando que ela foi privada de uma entrevista de “medo crível” e de acesso a aconselhamento jurídico. A perseguição extrema a cristãos no Irã é uma questão conhecida há tempos.
“Eu tenho muitos pesadelos agora. Não tenho minha cidade natal, não tenho os EUA e não tenho um país seguro; não sei o próximo passo, onde devo morar… é realmente assustador para mim.”
Em maio de 2025, Ghasemzadeh expressou à ICC que “preferiria morrer” a retornar ao Irã, ciente do destino que a aguardava. Ela descreveu a situação como uma viagem sem volta para o país de origem, possivelmente a última vez que veria a família. A ICC enviou uma petição de emergência em nome de Ghasemzadeh, assinada por 1.302 pessoas, para 10 países ocidentais considerados receptivos a refugiados, incluindo Alemanha, Espanha, França e Itália.
O caso também chamou a atenção da deputada americana Yassamin Ansari, que introduziu o “Artemis Act”. O projeto visa proibir a remoção acelerada de imigrantes em países designados pelo Departamento de Estado como “país de particular preocupação”.
No Irã, apesar da existência de comunidades armênias, assírias e católicas, leis rigorosas anti-conversão, puníveis com prisão ou morte, persistem. Ghasemzadeh e outros cristãos convertidos faziam parte da crescente comunidade da igreja subterrânea iraniana.
“No Irã, ser cristão quando se nasce está tudo bem. Existem até igrejas bonitas. Mas se você é muçulmano e se converte ao cristianismo, é um problema. A polícia quer te pegar porque não é bom para [o país].”
