Autoridades chinesas destroem templo protestante em Wenzhou, cidade conhecida como “Jerusalém da China”
A Igreja Yazhong, templo protestante não registrado em Wenzhou, foi completamente demolida pelas autoridades chinesas na última terça-feira, 19 de maio. A cidade, apelidada de “Jerusalém da China” pela expressiva comunidade cristã local, testemunhou a destruição poucas semanas após discussões sobre liberdade religiosa entre os presidentes dos Estados Unidos e da China.
Segundo informações da entidade ChinaAid, a igreja, também conhecida como Yayang Church, enfrentava pressão governamental desde o final de 2024. Uma operação realizada antes do amanhecer entre os dias 14 e 15 de dezembro resultou na prisão de 103 membros da congregação, após o que o governo assumiu o controle do prédio.
Veículos de construção ultrapassaram bloqueios de segurança no domingo, 17 de maio, e equipes iniciaram a demolição com escavadeiras pesadas no dia seguinte. Até a manhã de terça-feira, 19 de maio, a estrutura não existia mais. Durante a operação, quatro fiéis adicionais foram detidos, somando-se a outros 18 já presos anteriormente pelas autoridades ligadas ao Partido Comunista Chinês.
Fontes locais relatam que familiares dos detidos foram instruídos oficialmente a não comentar o caso publicamente. A área ao redor da igreja estava isolada nas semanas anteriores à demolição, com postos de controle e vigilância a cerca de um quilômetro de distância.
Relatos indicam que a cruz do templo foi coberta com um pano preto antes da destruição. Policiais monitoravam celulares de pessoas na área, proibindo gravações e fotografias. A Igreja Yazhong pertence ao movimento da “Igreja Local”, tradição cristã associada ao pregador chinês Watchman Nee.
O conflito com as autoridades intensificou-se após uma exigência governamental para que a bandeira nacional chinesa fosse hasteada dentro do santuário, medida considerada pelos fiéis uma violação da liberdade religiosa. Em junho de 2025, funcionários já haviam demolido parte do muro externo e instalado um mastro para a bandeira, agravando o impasse.
Analistas apontam Wenzhou como uma região de grande rigor na aplicação de políticas de controle religioso, com apenas igrejas vinculadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias detendo reconhecimento oficial.
Bob Fu, presidente da ChinaAid, destacou a intensificação da repressão: “Meus irmãos e irmãs na fé têm permanecido firmes por tanto tempo. Mais do que a perda de um prédio da igreja, lamento a forma como o PCC reprimiu esta área conhecida por seus cristãos fiéis e os oprimiu cada vez mais a cada dia”.
Fu também comentou que o episódio demonstra um aumento na perseguição religiosa: “Essas ações recentes mostram que a perseguição aos cristãos pelas autoridades chinesas se intensificou, tornando-se mais institucionalizada e direcionada”.
Observadores comparam o ocorrido à demolição da Igreja de Sanjiang em Wenzhou, em 2014. Apesar da destruição, Bob Fu afirmou que a fé dos membros permanece: “Nossas fontes confirmam que este belo e sagrado local de culto foi destruído, mas nossas orações não se reduziram a escombros. Que esta perda desperte a igreja global para o que está acontecendo na China, um grande conflito entre fiéis e o poder estatal”.
