Boate LGBT em Sydney suspende atividades após protestos de grupos cristãos por uso de símbolos religiosos
Uma casa noturna voltada ao público LGBT, instalada em um antigo templo em Sydney, na Austrália, suspendeu sua programação de eventos. A decisão ocorreu após protestos de grupos cristãos que alegam que o espaço utilizou símbolos e referências da fé de maneira ofensiva.
O local, nomeado Divine Playhouse, funciona em um prédio histórico de aproximadamente 150 anos, localizado na área central da cidade. O templo havia sido desconsagrado na década de 1930 e, desde então, era utilizado para atividades culturais e teatrais diversas.
A controvérsia iniciou-se após a inauguração do espaço, que inicialmente seria chamado de “Unholy Playhouse”. Apesar da mudança de nome para Divine Playhouse, a reação negativa persistiu devido a apresentações e materiais promocionais específicos.
Entre as performances criticadas estavam artistas drag queens com trajes que remetiam a freiras e paródias de rituais religiosos, além do uso de símbolos cristãos em contextos interpretados como desrespeitosos pelos manifestantes.
Chris Nave, organizador de uma petição com mais de 3.700 assinaturas, declarou que o estabelecimento está “ridicularizando nossa fé”. Ele argumenta que a marca se apropria de símbolos e linguagem cristã de forma que muitos fiéis consideram uma zombaria de Jesus Cristo, da Cruz e da sua crença.
“O que é sagrado para bilhões de pessoas em todo o mundo foi transformado em entretenimento e marketing comercial”, acrescentou Nave.
Nave também questionou o envolvimento do governo estadual com o projeto, afirmando que qualquer tipo de apoio governamental é inadequado para um local que, na visão de muitos cristãos, ridiculariza sua fé.
Grupos cristãos, como Fit for the Kingdom e The Prodigal Sons, organizaram manifestações, incluindo uma vigília de oração na noite de abertura, reunindo cerca de 70 participantes. Eles afirmam que as apresentações ultrapassaram os limites da liberdade artística, configurando um desrespeito deliberado aos símbolos cristãos.
Poucos dias após os protestos, o proprietário do imóvel notificou os responsáveis pelo empreendimento, citando possível violação contratual por “atividade ofensiva” e exigindo a interrupção das atividades consideradas incompatíveis com o contrato de locação.
Em resposta à notificação, os organizadores anunciaram o cancelamento dos eventos e removeram conteúdos relacionados à programação de suas redes sociais. A polêmica ganhou mais destaque ao se revelar que o projeto recebeu cerca de 100 mil dólares australianos em recursos da agência estadual de artes Create NSW, intensificando as críticas de grupos cristãos e parlamentares ao apoio público concedido.
