Ataques aéreos e incêndios criminosos atingem templos cristãos em regiões de maioria religiosa sob tensão política e militar crescente em Myanmar
O exército de Myanmar é alvo de denúncias por violar o direito internacional humanitário após a destruição de duas igrejas cristãs nos estados de Chin e Kachin, no início deste mês. Os episódios ocorreram em contextos distintos de operações militares, conforme relatado pela organização Christian Solidarity Worldwide (CSW).
Em Mindat, no sul do estado de Chin, aviões militares decolaram de uma base aérea em Magway no dia 9 de outubro. Por volta das 14h30, quatro bombas foram lançadas sobre o local, atingindo o complexo de uma igreja presbiteriana e causando severos danos estruturais. Não houve registro de mortes ou feridos durante o bombardeio.
Três dias depois, em 12 de outubro, militares das divisões de infantaria leve 33 e 88 teriam incendiado a igreja batista Htingnan Kachin, nas proximidades de Bhamo, no estado de Kachin. A ação também atingiu residências adjacentes ao templo. A destruição foi confirmada pelo porta-voz do Exército de Independência Kachin, Naw Bu.
A destruição da igreja presbiteriana em Mindat e da igreja batista Htingnan Kachin em Banmaw são claras violações do direito internacional humanitário e da liberdade de religião ou crença. Destruir locais de culto que servem como tábuas de salvação espirituais e comunitárias para populações vulneráveis é um crime grave.
O fundador da CSW, Mervyn Thomas, afirmou que esses ataques refletem um padrão de perseguição contra instituições religiosas em áreas étnicas. Segundo a organização, a motivação está atrelada às divisões religiosas do país e ao uso de força militar como forma de represália e punição coletiva contra comunidades cristãs que resistem ao governo.
Diante do cenário, a CSW defende que a comunidade internacional adote medidas concretas para restringir o acesso da junta militar a combustíveis de aviação e equipamentos bélicos, indo além de declarações de preocupação.
