Ditadura militar em Myanmar transforma igrejas cristãs em bases

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Milícias aliadas ao regime militar de Myanmar utilizam templos cristãos no estado de Kachin como quartéis e locais para cerimônias de graduação

Igrejas cristãs no estado de Kachin, em Myanmar, tornaram-se alvos da ocupação por forças militares e milícias alinhadas à ditadura do país. Conforme informações do International Christian Concern (ICC), a Nant Mun Baptist Church e o complexo da St. Joseph’s Catholic Church foram convertidos para fins operacionais pelos militares.

A Shanni Nationalities Army (SNA), milícia vinculada ao regime, utilizou a igreja batista para realizar cerimônias de formatura e treinamentos, com relatos de consumo de bebidas alcoólicas e festividades dentro do santuário. A ocupação forçou o deslocamento de centenas de famílias cristãs desde o avanço das tropas no final de 2024, restando poucas pessoas na região devido a restrições de movimento e dificuldades financeiras.

Apelos internacionais por proteção religiosa

Líderes cristãos nos Estados Unidos condenaram as ações e solicitaram que a administração de Donald Trump reclassifique o país como um País de Especial Preocupação (CPC). A medida visa permitir a aplicação de sanções diplomáticas e econômicas contra o regime.

“Estendo minhas orações e solidariedade à Nant Mun Baptist Church e à Kachin Baptist Convention. Condeno, nos termos mais fortes, as violações contínuas e graves da liberdade religiosa em Burma pela ditadura militar”

A declaração, feita por Zo Tum Hmung, presidente do Burma Research Institute (BRI), reflete a preocupação com o padrão crescente de violações. Além da ocupação de templos, o governo militar já havia revogado licenças de pastores para celebrar casamentos cristãos em junho de 2026.

O estado de Kachin possui uma das maiores demografias cristãs de Myanmar, tornando-se o foco central dos atuais abusos de direitos humanos. Organismos internacionais recomendam que o Departamento de Estado norte-americano restaure as sanções vigentes até 2023, buscando conter a perseguição que ameaça a sobrevivência das comunidades locais.

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