Ana Paula Valadão desmistifica doenças mentais na igreja e critica preconceito

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Ana Paula Valadão alerta que cristãos com transtornos mentais enfrentam crueldade e falta de compreensão na igreja

A cantora Ana Paula Valadão alertou que a igreja ainda demonstra dificuldade em acolher indivíduos com doenças e transtornos psicológicos. Durante sua participação no Mais Forte Podcast, a líder de louvor ressaltou que para muitos, a luta pela saúde mental é um tabu, e que em alguns ambientes cristãos, um diagnóstico psiquiátrico é erroneamente associado à falta de fé ou a uma vida pecaminosa.

Valadão enfatizou que a percepção discriminatória contrasta com a forma como outras enfermidades são tratadas. “Porque o crente tem dor de dente, toma antiinflamatório, toma analgésico, vai no dentista. Se tem doença cardíaca, toma remédio controlado a vida inteira. Ninguém questiona se aquela pessoa está em pecado. Se aquela pessoa não tem fé”, comparou. “Mas quando você tem uma doença que atinge o seu emocional, seu funcionamento racional como pessoa, então é um crente de categoria menor”.

Preconceito e julgamento em ambientes religiosos

A artista, que já compartilhou sua própria batalha contra a depressão, observou que a ausência de compaixão e entendimento em algumas comunidades religiosas expõe cristãos com condições mentais a preconceito e julgamento. Ela criticou a atribuição indiscriminada de possessão demoníaca a problemas de saúde mental, como autismo. “Então tudo é demônio, mas não expulsa o demônio da dor de cabeça”, exemplificou, criticando a generalização de que “autismo é demônio”.

Ana Paula Valadão fundamentou sua argumentação no contexto bíblico, lembrando que as Escrituras apresentam diversas causas para enfermidades. “A Bíblia tem várias situações e as pessoas generalizam. Nós temos doenças associadas ao pecado: Jesus curando e falando ‘Também te perdoo dos teus pecados, vai e não peque mais para que você não caia num estado pior’. Nós temos enfermidades que Jesus curou expulsando demônios, mas também temos enfermidades que perguntaram para Ele ‘Foi o pai ou a mãe que pecou por isso que ele é cego? Jesus falou ‘Não, não foi nem o pai nem a mãe dele que pecou, mas foi para que se manifestasse a glória de Deus na vida dessa pessoa’”, citou.

Ela ainda mencionou o exemplo de Jó, um homem íntegro que enfrentou severas adversidades, para ilustrar que nem todas as dificuldades têm explicações facilmente compreensíveis. “No primeiro capítulo do livro de Jó, Deus já estabelece quem era Jó: o homem mais íntegro da face da Terra. E olha tudo que ele passou, então nós não temos o direito de fazer julgamentos, porque tem mistérios que pertencem só a Deus. Tem coisas que nós não vamos ter as respostas aqui na terra. A resposta mais teológica, mais espiritual é falar: ‘Eu não sei’”, declarou.

Valadão também compartilhou sua experiência pessoal, atribuindo parte de sua condição a uma predisposição genética. “No meu caso, eu entendo que eu tenho uma estrutura genética na minha família materna de muitos casos de depressão e outros tipos de problemas de saúde mental”, revelou.

Tratamento e acolhimento como caminhos para a cura

A cantora relatou ter buscado tratamento psiquiátrico e terapia para superar a depressão, destacando a eficácia dessas abordagens. “Me ajudou muito. A primeira sessão foi meu marido quem marcou, ele disse: ‘Você tem que fazer uma terapia’”, contou. Ela complementou que, além da medicação, a atividade física, a alimentação e o convívio social são fatores importantes para a melhora da saúde mental.

Ana Paula Valadão reforçou a importância de abordar o tema da saúde mental dentro das igrejas, alertando contra a busca por soluções espirituais isoladas. “Porque, às vezes, as pessoas pensam assim: ‘Ah eu vou fazer uma oração mágica aqui agora no meu devocional e eu vou ser feliz’. E o que está faltando é alguma coisa no corpo. O corpo é tão sagrado quanto o espírito, é a casa de Deus”, explicou.

“Então, nós como crentes devemos nos permitir desfrutar da sabedoria que Deus deu aos homens e isso também no que diz respeito à saúde mental.”

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