Retorno do grupo extremista ADF ao território de Lubero provoca fuga em massa e perdas humanas em meio à crise sanitária enfrentada pela população
Após um período de seis meses sem incursões registradas, combatentes das Forças Democráticas Aliadas (ADF) retornaram ao território de Lubero, na província de Kivu do Norte, República Democrática do Congo (RDC). Na manhã da última terça-feira, dia 3 de novembro, o grupo atacou a comunidade de Maikengu, conforme reportado pela International Christian Concern (ICC).
Relatos de autoridades locais indicam que os militantes saquearam residências e comércios antes de incendiar casas, lojas e farmácias. O cenário de destruição forçou moradores a abandonar seus bens e buscar abrigo em áreas como Kambau e Nziapanda. Durante a ofensiva, um cristão foi morto por golpes de facão e diversos outros residentes seguem desaparecidos.
Temos perdido muito com a doença do Ebola e agora tememos perder ainda mais. Fomos obrigados a correr por nossas vidas. Todos os dias, nos preocupamos com nossas famílias; queremos apenas viver em paz e nos sentir seguros em nossas aldeias, relatou Jannette, moradora local.
Impacto humanitário e a exploração de recursos
A situação de vulnerabilidade é agravada pelo temor persistente do Ebola, que já causa perdas significativas na região. A população, que já recebia orientações para evitar aglomerações por precaução sanitária, vê agora o seu deslocamento forçado pelo avanço do extremismo islâmico.
O histórico de violência no local é marcado por traumas anteriores, incluindo uma invasão em junho de 2024 que vitimou 42 pessoas. Investigações, como o relatório da organização The Sentry, apontam que o grupo financia suas operações por meio da exploração ilegal de minas de ouro na área de Manguredjipa, gerando anualmente entre 1 milhão e 1,6 milhão de dólares. O sequestro de civis permanece como uma estratégia central para o recrutamento de mão de obra forçada.
O exército congolês iniciou o envio de tropas para conter o avanço dos militantes na região. Entretanto, para as comunidades locais, a necessidade imediata permanece centrada em garantias de proteção duradoura e estabilidade para a reconstrução de suas vidas.
