Tribunal inocenta pregador de 72 anos acusado de causar distúrbios ao compartilhar mensagens religiosas em área frequentada pela comunidade LGBT
A Justiça de Londres absolveu, no dia 4 de setembro de 2026, o evangelista Richard Johnson, de 72 anos. Ele respondia a um processo criminal por distribuir folhetos com teor bíblico no bairro de Soho, região conhecida por ser frequentada pela comunidade LGBT na capital inglesa. As informações são do portal Guiame.
Johnson foi denunciado com base na Seção 4A da Lei de Ordem Pública de 1986, que penaliza comportamentos intencionais capazes de causar angústia ou assédio. O material em questão era o quadrinho “Doom Town”, que aborda temas como Sodoma e Gomorra, pecado, julgamento e salvação. Dois indivíduos acionaram as autoridades, alegando terem se sentido ofendidos com o conteúdo.
Detalhes da acusação e defesa
Durante o julgamento no Tribunal de Magistrados da City de Londres, ficou constatado que o evangelista não abordou pessoalmente os denunciantes. Um dos reclamantes obteve o folheto por meio de um terceiro, enquanto o outro encontrou uma cópia esquecida em um parapeito. A acusação defendia que Soho deveria ser preservado como um “espaço seguro” imune a mensagens consideradas hostis.
Em sua defesa, o Christian Legal Centre argumentou que os direitos de liberdade de expressão e religiosa não cessam em áreas específicas. O advogado Michael Phillips afirmou que a lei penal não deve estabelecer padrões distintos para o discurso apenas por ser impopular com um determinado público. Embora tenha concordado em não utilizar o material específico novamente, Johnson reforçou que seu objetivo sempre foi a evangelização.
“Depois de quase 2 anos com isso pairando sobre mim, estou feliz por estar livre. Faço isso porque realmente amo pessoas LGBT e quero que elas vão para o Céu, não para o inferno. Amor é dizer a verdade às pessoas, mesmo que elas se ofendam com a mensagem”, declarou o evangelista após a sentença.
Andrea Williams, diretora executiva do Christian Legal Centre, criticou o longo período em que o pregador permaneceu sob a ameaça de condenação. Segundo ela, nenhum local em Londres deveria atuar como uma zona de censura contra crenças cristãs legítimas. Os magistrados concluíram que, embora o conteúdo tenha gerado desconforto, a ação de distribuir os folhetos não configurou crime.
