Nova ‘Core Group’ Pró-Vida e Pró-Família Busca Influência na ONU Contra Pautas Globais
Uma nova coalizão de países, autodenominada ‘Core Group’, está em formação nas Nações Unidas com o objetivo de defender o direito à vida, bem como as instituições de família e casamento em fóruns internacionais. A iniciativa, que visa criar um contraponto a grupos com pautas divergentes, é liderada pelos Estados Unidos, com a participação de nações do Sul Global.
A articulação busca replicar o modelo de grupos de países que se unem para promover agendas específicas dentro da ONU, um mecanismo diplomático conhecido como ‘Core Group’. A criação deste novo grupo surge em um momento considerado propício por seus idealizadores, que pretendem desafiar a ‘burocracia globalista’.
O Ibero-American Congress for Life and Family (CIVF), através de seu líder Aarón Lara, destaca a importância de uma resistência organizada. Lara exemplifica o sucesso do ‘Pro-LGBTI+ Core Group’, formado em 2008 e composto por mais de 40 países, que tem promovido narrativas e obtido financiamento para suas causas. “Eles têm conseguido estabelecer narrativas de vitimização e incorporar observâncias com impacto global”, explicou Lara.
Segundo Lara, a influência do grupo LGBTI+ se expandiu por diversas comissões da ONU, em parte devido à ausência de uma oposição consolidada. “Se fosse uma partida de futebol e uma equipe não aparecesse, o vencedor por W.O. seria a equipe que estivesse presente”, disse ele, ressaltando a necessidade de representação ativa.
“Sua influência se infiltrou em praticamente todas as comissões dentro da ONU, mas eles foram muito além.”
Para formar um ‘Core Group’, é necessária uma nação proponente e o apoio de pelo menos dois outros estados membros. Países com maior peso geopolítico têm facilidade em estabelecer tais alianças, segundo Lara. A intenção é que os Estados Unidos, sob a administração Trump, encabecem o pedido, com o apoio de nações latino-americanas do ‘Escudo das Américas’, incluindo Argentina, Bolívia, Chile e outros, muitos dos quais possuem governos de direita e compromisso com a causa pró-vida.
Um indicativo do potencial de adesão é a Declaração do Consenso de Genebra, assinada em 2020, que estabelece que o aborto não é um ‘direito’ e conta com o apoio de 40 nações. Valerie Huber, ex-representante especial dos EUA para Saúde Global de Mulheres, é uma das principais defensoras do Consenso e espera que os países signatários integrem o novo ‘Core Group’.
A articulação do novo grupo incluirá o Global Forum for Life, Family, and Freedoms, a ser realizado em setembro, em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU. O evento pode marcar o lançamento oficial do ‘Core Group’ pró-vida e pró-família na organização. Representantes do Departamento de Estado dos EUA são esperados.
Uma fonte que conecta os esforços do CIVF com organizações nos Estados Unidos enfatiza a importância de os cristãos latino-americanos exigirem que seus governos representem os valores majoritários de suas nações em fóruns internacionais. “É justamente o nosso descuido e a nossa falta de entendimento (e desprezo?) por tudo o que tem a ver com política que nos tornam ignorantes – os ‘tolos úteis’ de que falava Lênin”, pontuou a fonte, sob condição de anonimato.
Essa fonte destacou que um quarto dos países que compõem o ‘Core Group Pro LGBTI+’ são ibero-americanos, com a Argentina detendo a presidência do grupo. “Portanto, aqueles de nós que somos membros de qualquer uma dessas nações temos o dever de protestar contra sua adesão ao ‘Core Group’ pró-LGBTI+ e devemos pressionar para que nossos países reflitam verdadeiramente nossos valores na esfera diplomática”, declarou.
“A iniciativa do Core Group Profamilia e Provida vai remediar isso, e é por isso que merece que acordemos para nos educar e agir em conjunto.”
A esperança é que a liderança dos EUA e países ibero-americanos se unam a nações da África e Ásia para propor um plano de ‘Core Group’ que defenda seus valores, inicialmente na ONU e posteriormente na Organização dos Estados Americanos (OAS).
