Milhares de cristãos saem às ruas do Paquistão exigindo liberdade religiosa e fim da perseguição no Dia Nacional das Minorias
Na última terça-feira, 11 de agosto, data em que se celebra o Dia Nacional das Minorias, milhares de cristãos marcharam em diversas cidades do Paquistão. Os protestos, ocorridos simultaneamente em Karachi, Faisalabad e Lahore, tinham como objetivo reivindicar igualdade e liberdade para as minorias religiosas que sofrem perseguição no país. A manifestação em Karachi, a maior cidade paquistanesa, reuniu mais de 2 mil pessoas em frente ao mausoléu de Muhammad Ali Jinnah, fundador do Paquistão. Durante a Marcha pelos Direitos das Minorias, os participantes ergueram cartazes com mensagens como “Minha religião, minha vontade” e exibiram fotos de vítimas de linchamentos, conversões forçadas, ataques e líderes religiosos assassinados por sua fé.
Luke Victor, um dos organizadores da Marcha pelos Direitos das Minorias, destacou o sentimento de urgência. “Os jovens estão dizendo: ‘Vamos conquistar nossa liberdade’”, declarou à EWTN News. Em momentos de discursos, diversos oradores pediram o fim da discriminação baseada na fé e do extremismo violento contra as minorias religiosas no território paquistanês. Uma das demandas centrais foi a alteração na constituição do país para permitir que membros de minorias religiosas pudessem assumir cargos públicos de alto escalão, como as posições de presidente ou primeiro-ministro.
A organização da Marcha pelos Direitos das Minorias apresentou uma carta com 11 propostas de mudança em benefício das minorias. Entre elas, estão o aumento da representação política, reformas curriculares, proteção de propriedades e locais de culto, medidas eficazes contra abusos das leis de blasfêmia e a instituição de comissões independentes de direitos das minorias. Os líderes do movimento apontaram que o crescimento da violência e dos ataques contra essas comunidades gera um clima de medo e insegurança, especialmente entre a juventude.
Em Faisalabad, um comício liderado pelo advogado cristão Akmal Bhatti também ocorreu, com manifestantes clamando pela garantia da liberdade religiosa. As reivindicações incluíram a proibição da conversão forçada de menores de idade, a implementação de uma cota de 5% para minorias em serviços públicos e instituições de ensino, a remoção de barreiras religiosas para os cargos de presidente e primeiro-ministro, e a criação de uma Comissão Nacional de Direitos das Minorias.
O Paquistão abriga diversas minorias religiosas, incluindo cristãos, hindus, sikhs, ahmadis, baha’is, zoroastrianos, budistas e seguidores da fé indígena Kalash. O dia 11 de agosto foi estabelecido como Dia Nacional das Minorias em 2009. A data homenageia Shahbaz Bhatti, o primeiro ministro federal católico do Paquistão, conhecido por sua defesa da liberdade religiosa, que foi assassinado em março de 2011. Ele foi alvo de tiros em frente à sua residência, e panfletos o rotularam como um cristão “infiel”. Atualmente, o Paquistão, com uma população majoritariamente muçulmana (cerca de 96%), figura na oitava posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, sendo um dos locais mais desafiadores para a vivência cristã.
