Comissão de Direitos Humanos da Nigéria pede prisão de clérigo por declarações contra cristãos
A Comissão Nacional de Direitos Humanos (NHRC) da Nigéria solicitou a prisão e o indiciamento do Sheikh Muhammadu Sani Yahaya Jingir, um proeminente clérigo islâmico do norte do país. A ação ocorre após ele descrever cristãos e outros não-muçulmanos como “infiéis” e conclamar muçulmanos a usarem seus votos para manter o controle político, segundo comunicado divulgado na rede social X em 11 de agosto.
As autoridades policiais e de segurança foram notificadas pela NHRC para prender e processar Jingir por alegado discurso de ódio e incitação. Até o momento da publicação, nenhuma prisão ou acusação formal havia sido anunciada. Jingir proferiu as declarações no dia 9 de agosto, durante a campanha “Abba Go Again” para o governador do estado de Kano, Abba Kabir Yusuf.
Em seu discurso para apoiadores no estado predominantemente muçulmano, o clérigo incentivou muçulmanos a obterem seus cartões permanentes de eleitor e a apoiarem candidatos em chapas muçulmanas. “Vamos mostrar aos infiéis o seu lugar, aqueles que afirmam ser mais numerosos que nós na Nigéria”, declarou Jingir, contestando a suposta maioria cristã.
“Eles estão mentindo!”
Jingir expressou apoio à escolha de uma chapa “muçulmano-muçulmana” para cargos políticos, citando como exemplo a eleição presidencial de 2023, onde o atual presidente Bola Ahmed Tinubu, muçulmano, escolheu Kashim Shettima, também muçulmano, como seu vice. Essa decisão quebrou uma prática informal de equilibrar as chapas com um cristão e um muçulmano.
Segundo o clérigo, a continuidade de chapas muçulmanas demonstrou a força numérica dos muçulmanos e evitaria que os cristãos “se achassem mais numerosos”. Ele também fez alegações sem evidências de que “cristãos disfarçados” seriam responsáveis por um atentado a uma mesquita associado ao movimento Maitatsine na década de 1980.
O Secretário Executivo da NHRC, Tony Ojukwu, afirmou que as declarações de Jingir atacam os princípios constitucionais de igualdade, não discriminação e coexistência pacífica. “A Comissão considera essas declarações como discurso de ódio e incitação ao ódio religioso e à violência potencial”, disse Ojukwu, qualificando as falas como “temerárias e perigosas” em período pré-eleitoral.
A comissão alertou que a inação pode encorajar líderes religiosos e figuras políticas a fazerem declarações piores antes das eleições de 2027. Jingir preside o Conselho de Ulama da Jama’atu Izalatil Bid’ah Wa Iqamatus Sunnah (JIBWIS), um movimento reformista sunita com seguidores em todo o norte e centro da Nigéria.
Declarações anteriores de Jingir sobre identidade religiosa e poder político já haviam gerado críticas de líderes cristãos e muçulmanos, incluindo o ex-governador de Kano, Rabiu Musa Kwankwaso, e o aliado político de Tinubu, Femi Fani-Kayode.
A Constituição nigeriana proíbe governos de adotarem uma religião oficial, garantindo a liberdade de culto e a proibição de discriminação religiosa. A decisão sobre agir ou não em relação a Jingir recai agora sobre as autoridades policiais e de segurança, enquanto o país se prepara para as eleições de 2027.
