Índice global de perseguição a cristãos revela aumento drástico e situações preocupantes em várias nações
Um relatório divulgado pela International Christian Concern (ICC) aponta para uma escalada alarmante na perseguição a cristãos ao redor do mundo. O Índice Global de Perseguição 2026 expõe realidades sombrias e o impacto devastador na vida de indivíduos que optam por manter sua fé.
Shawn Wright, presidente da ICC, enfatiza que cada dado estatístico representa uma vida real, seja um esposo, esposa, pastor ou criança, que escolheu a fidelidade a Cristo mesmo diante de enormes adversidades. O índice, segundo ele, é um chamado para que a igreja global se posicione ao lado daqueles que sofrem por sua fé, destacando que a escolha por Jesus frequentemente vem em detrimento da segurança pessoal.
“Por trás de cada estatística está uma pessoa real, um marido, uma esposa, pastor ou uma criança que escolheu a fidelidade a Cristo, apesar da enorme perseguição. O índice não é simplesmente um relatório sobre perseguição. É um chamado para a igreja global ficar ao lado de nossos irmãos e irmãs que sofrem por sua fé, pois por trás de cada estatística está uma pessoa real e eles escolheram Jesus em vez de segurança.”
Wright também mencionou que o Novo Testamento já alertava sobre futuras perseguições, mas ressalta a necessidade de ação e apoio. Ele citou a passagem de Hebreus 13:3, que orienta a lembrar dos que estão presos por sua fé como se estivéssemos acorrentados com eles.
Nigéria em destaque por crescimento exponencial de violência
Um dos pontos mais surpreendentes do índice é a situação na Nigéria, onde o aumento da perseguição atingiu níveis “inconcebíveis”. Wright relatou que, em 2024, o número de cristãos mortos no país era estimado em cerca de 500 a 600 por ano. No último ano, esse número saltou para mais de 2.500, com tendência de crescimento rápido.
Estima-se que a Nigéria seja responsável por quase 90% de toda a perseguição rastreável globalmente. Os ataques são frequentemente atribuídos a militantes Fulani e outros grupos muçulmanos, resultando na expulsão, dispersão e morte de pessoas, incluindo muitas crianças órfãs cujos pais foram vítimas desses ataques. Wright relatou ter visitado acampamentos de deslocados na Nigéria, localizados próximos às suas antigas residências, onde constatou a presença de muitas crianças órfãs.
Outras regiões e métodos de perseguição
Além da Nigéria, o relatório aponta para níveis preocupantes de perseguição em partes da América do Sul, China e Índia. Na China, a perseguição se manifesta através do controle estatal, vigilância e pressão sobre igrejas, com o Partido Comunista Chinês (PCC) reprimindo minorias religiosas. O uso de tecnologia de vigilância é um ponto crítico, com a China inclusive exportando essa tecnologia para governos como Irã, Paquistão e Índia, facilitando o rastreamento de grupos dissidentes, incluindo cristãos.
Na Índia, o nacionalismo hindu é apontado como um dos principais motores da perseguição. Wright acredita que o governo estabeleceu regras e regulamentações que praticamente “proíbem a capacidade de evangelizar”. Leis anti-conversão, em vigor em 13 estados, visam especificamente os cristãos, dificultando a partilha da fé, e em alguns casos, até mesmo a sua prática entre outros cristãos.
