Avanço da inteligência artificial na vida religiosa: um desafio para líderes e fiéis
Uma pesquisa recente indica que 44% dos cristãos praticantes nos Estados Unidos utilizam inteligência artificial (IA) em suas rotinas, superando a média geral da população em 13 pontos percentuais. No entanto, a capacidade dos líderes religiosos de acompanhar essa tendência e oferecer orientação parece estar significativamente atrás, com apenas 12% dos pastores protestantes se sentindo equipados para guiar seus congregados no uso dessa tecnologia.
O estudo, conduzido pelo Barna Group em novembro e dezembro de 2025, com 1.514 adultos e 442 pastores, revela um cenário onde a tecnologia avança rapidamente, e a necessidade de discernimento e aconselhamento pastoral se torna cada vez mais premente. A discrepância entre o uso da IA pelos fiéis e a preparação dos seus líderes levanta questões importantes sobre o futuro da fé em um mundo cada vez mais digital.
Uso da IA: diferença entre cristãos praticantes e a média americana
A pesquisa do Barna Group destaca que os cristãos praticantes não só utilizam a IA com maior frequência em suas vidas pessoais, mas também no ambiente profissional. Enquanto 44% deles relatam usar a tecnologia “com muita frequência” ou “com frequência” em suas vidas pessoais, apenas 31% dos adultos americanos em geral compartilham desse mesmo nível de uso.
Essa tendência se reflete também no local de trabalho. No âmbito profissional, 39% dos cristãos praticantes afirmam usar IA com frequência, em comparação com 26% dos adultos americanos em geral. Essa maior adoção sugere que a IA já está integrada às atividades diárias de uma parcela significativa dessa comunidade religiosa.
Pastores e a IA: um preparo limitado
Apesar da alta adoção da IA entre os fiéis, o cenário entre os pastores é distinto. Apenas 16% dos pastores reportam usar IA “com frequência” para fins pessoais, e 5% a utilizam “com muita frequência”. Significativamente, 45% afirmam usar a tecnologia “pouco” ou “nada”, e cerca de um terço a usa apenas “às vezes”.
No contexto profissional, 24% dos pastores utilizam IA “com muita frequência”, um número consideravelmente menor que os 39% de cristãos praticantes. Essa diferença pode indicar uma hesitação ou falta de familiaridade com as ferramentas, o que impacta diretamente na capacidade de orientar a congregação.
Confiança na IA para crescimento espiritual e os limites da tecnologia
Surpreendentemente, quase metade dos cristãos praticantes (aproximadamente 48%) declarou que confiaria na IA para apoiar seu crescimento espiritual. No entanto, a pesquisa ressalta que o aconselhamento religioso não é o principal motivo pelo qual buscam essa tecnologia. A maioria utiliza a IA para aprendizado, busca por conselhos e auxílio na escrita, e não primariamente para interpretação de escrituras ou direção espiritual.
Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa do Barna Group, comentou que, embora a frequência de uso possa parecer semelhante entre pastores e americanos em geral ao se perguntar sobre o uso de IA de forma geral, “é na frequência de uso que a diferença realmente aparece”. Uma pesquisa anterior do Barna indicou que um terço dos cristãos praticantes acredita que conselhos espirituais vindos da IA podem ser tão úteis quanto o aconselhamento de um pastor, uma visão mais prevalente entre eles do que entre cristãos não praticantes e não cristãos.
A necessidade de discernimento é clara, especialmente à luz de eventos como o processo movido contra a OpenAI. Um ex-pastor da Flórida alegou ter recebido conselhos médicos imprecisos do ChatGPT-4o, culminando em uma situação de risco de vida. Isso reforça a importância de uma abordagem cautelosa e crítica ao usar IA para questões sensíveis.
O caminho a seguir: preparação e diálogo
Diante desse panorama, a urgência para que líderes religiosos se capacitem e estabeleçam diálogos sobre o uso da IA torna-se evidente. A tecnologia oferece ferramentas poderosas que podem auxiliar em diversas áreas da vida, mas seu uso consciente e ético requer compreensão e orientação.
Grupos como a Tech Justice Law têm defendido a segurança, a transparência e a responsabilidade no desenvolvimento de produtos de IA. A situação atual exige que igrejas e pastores explorem como a IA pode ser integrada de forma benéfica, ao mesmo tempo em que alertam sobre os riscos e a importância de fontes confiáveis para a orientação espiritual.
