Pastor nigeriano denuncia genocídio e perde nove familiares em ataque de extremistas Fulani no estado de Plateau
O pastor Ezekiel Dachomo, figura conhecida por expor a perseguição a cristãos na Nigéria, viveu uma tragédia familiar após nove parentes serem brutalmente assassinados em um ataque atribuído a extremistas Fulani. O incidente ocorreu na aldeia de Kum, no estado de Plateau, na madrugada de sábado (11).
Segundo relatos de sobreviventes, os agressores invadiram a residência com o objetivo de encontrar o pastor. Não o localizando, executaram as vítimas presentes, incluindo um bebê de apenas dois meses. Dachomo, ao se pronunciar sobre o massacre, declarou acreditar que o ataque foi uma retaliação por sua atuação na defesa dos cristãos perseguidos na região. O funeral coletivo das vítimas ocorreu na segunda-feira (13).
O pastor detalhou que o ataque ocorreu na casa de seu sobrinho, um local com forte ligação afetiva e familiar para ele. Ele lembrou de outros ataques violentos contra sua família na comunidade, citando a morte de sua avó Ngo Martha e de seu tio Dangai, em circunstâncias igualmente brutais. Dachomo ressaltou que a intenção dos agressores é forçar a saída dos cristãos da comunidade.
A violência em Plateau tem sido uma preocupação crescente. Solomon Dalyop, líder e advogado do povo Berom, alertou para o aumento das preocupações com novos massacres na região. Ele relatou que, somente nos últimos cinco meses, mais de 200 pessoas foram mortas no estado. Em coletiva de imprensa realizada em 15 de julho, Dalyop descreveu a situação como um fardo insuportável de terror, com comunidades transformadas em cenários de derramamento de sangue, invasões e deslocamento forçado de milhares de pessoas.
O deputado Fom Dalyop Chollom, durante o funeral das vítimas, classificou o ocorrido como uma clara declaração de guerra contra os cristãos nativos da região.
Ezekiel Dachomo vive sob constantes ameaças de morte desde que iniciou suas denúncias sobre o que classifica como genocídio contra cristãos na Nigéria e buscou ajuda internacional. As ameaças se intensificaram após a divulgação, em outubro de 2025, de um vídeo em que ele aparecia ao lado de corpos de cristãos assassinados, acusando o governo nigeriano de negar a perseguição e apelando por intervenção dos Estados Unidos, do Senado americano e da ONU.
Após a morte de seus familiares, o pastor informou ter recebido uma nova ameaça direta, com uma carta indicando que ele teria o mesmo destino dos parentes assassinados. Dachomo declarou que está pronto para se defender e cobrou uma resposta das autoridades, inclusive do presidente Tinubu, afirmando que a autodefesa é indispensável.
O pastor também criticou o governo federal por sua suposta falha em proteger as comunidades afetadas pela violência no estado de Plateau.
